Por que controlar a produção é essencial para a indústria
Administrar uma operação industrial exige muito mais do que acompanhar quantos produtos foram fabricados ao longo do dia. Para que a produção funcione de maneira organizada, diferentes informações precisam estar conectadas, atualizadas e disponíveis para quem participa do planejamento e da execução das atividades.
Quando esses dados ficam espalhados entre planilhas, documentos impressos, anotações e controles independentes, aumenta a dificuldade para entender o que realmente está acontecendo na fábrica. Uma planilha pode apresentar determinada quantidade disponível em estoque, enquanto outra informação indica que parte desse material já está comprometida com uma Ordem de Produção. Essa falta de integração pode gerar decisões baseadas em dados incompletos.
O problema se torna ainda maior à medida que o volume de pedidos cresce. Quanto mais produtos, matérias-primas, máquinas, etapas e Ordens de Produção existem, maior é a quantidade de informações que precisam ser acompanhadas simultaneamente.
Por isso, controlar a produção significa organizar todo o fluxo produtivo e não apenas registrar a quantidade fabricada.
Entre os principais elementos que precisam ser acompanhados estão:
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pedidos que precisam ser atendidos;
-
demanda prevista para determinados produtos;
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estoque disponível;
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matérias-primas necessárias;
-
disponibilidade de máquinas e equipamentos;
-
recursos disponíveis para execução das operações;
-
Ordens de Produção abertas;
-
prazos de fabricação;
-
quantidades produzidas;
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perdas e refugos;
-
consumo de materiais;
-
custos relacionados à fabricação.
Quando essas informações são analisadas de maneira conjunta, torna-se mais fácil compreender se a produção possui condições para atender aquilo que foi planejado.
Da demanda até o produto acabado
Toda produção começa com algum tipo de necessidade. Em alguns casos, a fabricação ocorre para atender pedidos já realizados. Em outros, a empresa produz para recompor o estoque ou manter determinada quantidade de produtos disponíveis.
Depois de identificar essa necessidade, é preciso definir quanto será produzido e quais recursos serão necessários.
Um fluxo produtivo pode ser representado da seguinte maneira:
Demanda → Planejamento → Materiais → Ordem de Produção → Fabricação → Apontamento → Estoque → Indicadores
Cada etapa depende das informações geradas anteriormente.
Se a demanda indica a necessidade de fabricar 1.000 unidades, por exemplo, o planejamento precisa verificar se existem materiais suficientes para essa quantidade. Caso falte matéria-prima, essa informação deve ser identificada antes de a produção ser iniciada.
Depois disso, uma Ordem de Produção pode ser criada para formalizar a fabricação. Durante a execução, os apontamentos registram quanto realmente foi produzido, quais materiais foram utilizados e se ocorreram perdas.
Ao final do processo, os produtos concluídos podem entrar no estoque e os resultados da produção passam a alimentar indicadores utilizados para novas decisões.
É justamente nesse fluxo que um Sistema de Controle de Produção pode contribuir para a organização das informações.
Por que informações isoladas dificultam o controle
Imagine uma indústria que utiliza uma planilha para estoque, outra para registrar Ordens de Produção e um formulário separado para registrar a quantidade fabricada.
Para descobrir a situação de uma única ordem, alguém pode precisar consultar vários controles diferentes.
Primeiro, verifica a Ordem de Produção para saber a quantidade planejada. Depois, procura outra planilha para descobrir quanto foi produzido. Em seguida, consulta o estoque para verificar os materiais disponíveis.
Além do tempo gasto nessa consulta, existe outro problema: as informações podem ter sido atualizadas em momentos diferentes.
Isso pode provocar situações como:
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liberar produção sem material suficiente;
-
comprar matéria-prima que já estava disponível;
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perceber atrasos somente próximo ao prazo final;
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manter Ordens de Produção abertas mesmo depois da fabricação;
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encontrar diferenças entre estoque registrado e estoque físico;
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não identificar rapidamente desperdícios;
-
produzir além da quantidade necessária.
Centralizar os dados reduz a necessidade de procurar informações em diferentes lugares e melhora a visibilidade sobre a operação.
O que é um Sistema de Controle de Produção
Um Sistema de Controle de Produção é uma solução utilizada para registrar, organizar e acompanhar informações relacionadas às atividades de fabricação.
Seu objetivo é proporcionar uma visão estruturada do processo produtivo, permitindo acompanhar desde a necessidade de produção até a conclusão dos produtos.
Dependendo das características da operação, o sistema pode reunir informações como:
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produtos fabricados;
-
matérias-primas;
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estruturas de materiais;
-
Ordens de Produção;
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quantidades planejadas;
-
quantidades produzidas;
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consumo de materiais;
-
etapas de fabricação;
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recursos utilizados;
-
prazos;
-
perdas;
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refugos;
-
produtos acabados disponíveis em estoque.
A centralização desses dados facilita a comparação entre aquilo que deveria acontecer e aquilo que realmente aconteceu na fábrica.
Esse acompanhamento é especialmente importante porque o planejamento nem sempre ocorre exatamente como previsto.
Uma máquina pode ficar indisponível, determinado material pode acabar, uma ordem pode produzir menos unidades que o esperado ou uma etapa pode levar mais tempo que o programado.
O controle permite registrar essas diferenças e utilizá-las para compreender melhor a operação.
O sistema não serve apenas para abrir Ordens de Produção
Um erro comum é imaginar que controlar a produção significa apenas criar uma Ordem de Produção e marcá-la como concluída posteriormente.
A OP é importante, mas representa somente uma parte do processo.
Para oferecer uma visão completa da fabricação, o controle precisa ajudar a responder perguntas fundamentais, como:
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O que precisa ser produzido?
-
Qual quantidade deve ser fabricada?
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Qual é o prazo dessa produção?
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Quais matérias-primas serão necessárias?
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O estoque atual consegue atender essa necessidade?
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Quais etapas precisam ser executadas?
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Quais recursos serão utilizados?
-
Quanto já foi produzido?
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Quanto ainda falta produzir?
-
Houve perda durante a fabricação?
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O consumo de material ficou dentro do previsto?
-
Existem Ordens de Produção atrasadas?
Essas respostas permitem acompanhar o processo de forma muito mais ampla.
Por exemplo, saber apenas que uma ordem está "em produção" oferece pouca informação. A gestão precisa saber se 10%, 50% ou 90% da quantidade planejada já foi concluída.
Planejado e realizado precisam ser comparados
Um dos principais objetivos do controle produtivo é comparar planejamento e execução.
Considere uma Ordem de Produção criada para fabricar 500 unidades de um produto.
Durante a fabricação, foram concluídas 350 unidades.
Nesse momento, o acompanhamento pode apresentar:
-
Quantidade planejada: 500 unidades.
-
Quantidade concluída: 350 unidades.
-
Quantidade restante: 150 unidades.
-
Materiais já consumidos.
-
Data prevista para conclusão.
-
Recursos envolvidos na fabricação.
-
Quantidade perdida ou rejeitada.
Essas informações tornam a situação muito mais clara do que simplesmente informar que a ordem continua aberta.
Se o prazo estiver próximo e ainda existirem 150 unidades pendentes, a equipe pode analisar se existe capacidade suficiente para finalizar o trabalho.
Caso o consumo de matéria-prima esteja acima do previsto, também será possível investigar a causa da diferença.
O mesmo controle pode atender diferentes processos produtivos
Nem todas as indústrias trabalham da mesma maneira.
Algumas possuem processos simples, com poucas etapas. Outras trabalham com produtos compostos por diversos componentes e operações sequenciais.
Uma empresa pode utilizar o fluxo:
Corte → Montagem → Acabamento
Outra pode precisar acompanhar:
Preparação → Usinagem → Tratamento → Montagem → Inspeção → Embalagem
Por isso, um Sistema de Controle de Produção precisa acompanhar a realidade do processo produtivo da empresa, considerando os produtos fabricados, materiais utilizados, etapas necessárias e recursos envolvidos.
O nível de detalhamento também pode variar.
Uma operação menor pode iniciar o controle acompanhando principalmente Ordens de Produção, materiais e quantidades fabricadas. À medida que os processos amadurecem, pode incorporar informações sobre tempos, perdas, etapas produtivas e capacidade.
O mais importante é que os registros representem aquilo que realmente acontece na fábrica.
Quando o fluxo está bem estruturado, a empresa consegue visualizar com maior facilidade o que precisa produzir, quais recursos serão necessários, quanto já foi concluído e quais situações precisam de atenção durante a fabricação.
Como funciona um Sistema de Controle de Produção na prática?
O funcionamento de um Sistema de Controle de Produção pode ser entendido como um fluxo contínuo de informações. Cada etapa gera dados que ajudam a orientar a próxima atividade, desde o cadastro dos produtos até a entrada dos itens fabricados no estoque.
Na prática, o objetivo é evitar que produção, materiais, Ordens de Produção e estoque sejam acompanhados de maneira isolada. Quando essas informações estão conectadas, a empresa consegue visualizar com mais clareza o que precisa ser produzido, quais recursos serão utilizados e qual é a situação atual de cada fabricação.
Esse fluxo pode variar conforme o tipo de indústria, mas normalmente envolve:
Cadastro do produto → Identificação da necessidade → Planejamento → Ordem de Produção → Fabricação → Apontamento → Conclusão → Estoque
Cada uma dessas etapas possui uma função importante para manter o processo organizado.
Cadastro dos produtos como ponto de partida
Antes de planejar qualquer fabricação, a empresa precisa manter os produtos corretamente cadastrados.
O cadastro funciona como uma base de informações utilizada em diferentes etapas da operação. Dados incorretos ou incompletos podem gerar problemas no planejamento, no consumo de materiais e até mesmo no controle do estoque.
Entre as principais informações que podem ser registradas estão:
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código do produto;
-
descrição;
-
unidade de medida;
-
classificação do item;
-
estrutura de materiais;
-
processos relacionados;
-
características utilizadas na fabricação.
O código ajuda a identificar cada produto de maneira única. Isso é especialmente importante em empresas que possuem diversos itens semelhantes.
A descrição deve facilitar a identificação do produto, evitando nomes genéricos ou duplicados.
A unidade de medida também precisa estar definida corretamente. Um item pode ser controlado por unidade, quilograma, metro, litro ou outra medida compatível com o processo produtivo.
A estrutura do produto, por sua vez, indica quais componentes ou matérias-primas são necessários para sua fabricação.
Por exemplo, para produzir determinado item, podem ser necessários:
-
duas unidades do Componente A;
-
uma unidade do Componente B;
-
500 gramas da Matéria-prima C.
Essas informações permitem calcular posteriormente quanto material será necessário para determinada quantidade de produção.
Como identificar a necessidade de produção
Depois que os produtos estão cadastrados, é necessário identificar quando e quanto produzir.
A necessidade pode surgir de diferentes formas, dependendo da maneira como a empresa organiza sua operação.
Entre as principais origens estão:
-
pedidos realizados pelos clientes;
-
previsões de demanda;
-
reposição de estoque;
-
necessidade de atingir o estoque mínimo;
-
programações internas de fabricação.
Imagine que uma empresa trabalhe com produção para estoque. Ela pode definir que determinado produto deve manter pelo menos 300 unidades disponíveis.
Se o estoque cair para 100 unidades, existe uma necessidade de reposição de 200 unidades para retornar ao nível desejado.
Em outra situação, uma indústria pode produzir somente após receber pedidos. Se entra um pedido de 500 unidades, essa demanda passa a ser utilizada como referência para o planejamento.
Também é possível combinar diferentes critérios.
Uma empresa pode atender pedidos existentes e, ao mesmo tempo, manter determinados produtos com uma quantidade mínima disponível para vendas futuras.
Por isso, identificar corretamente a origem da necessidade ajuda a evitar duas situações comuns: produzir menos do que o necessário ou fabricar produtos sem demanda suficiente.
Planejamento da produção
Depois de identificar a necessidade, começa a etapa de planejamento.
Nesse momento, a empresa precisa transformar a demanda em informações que possam orientar a fabricação.
Entre os principais pontos que precisam ser definidos estão:
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qual produto será produzido;
-
quantidade necessária;
-
prioridade;
-
prazo desejado;
-
recursos envolvidos;
-
matérias-primas necessárias.
Imagine que existam três produtos aguardando fabricação.
O Produto A precisa ser entregue em dois dias, enquanto os Produtos B e C possuem prazos maiores.
Mesmo que todos sejam importantes, o Produto A pode receber prioridade maior devido à proximidade do prazo.
Além da prioridade, o planejamento precisa verificar se existem recursos disponíveis.
Não adianta programar uma quantidade elevada sem avaliar se há matéria-prima, máquinas ou capacidade suficiente para realizar a fabricação no período esperado.
Um Sistema de Controle de Produção ajuda a reunir essas informações para que o planejamento tenha uma base mais organizada.
Verificação dos materiais necessários
Antes de liberar a fabricação, é importante verificar se existe material suficiente para atender a quantidade planejada.
Considere um produto que utilize quatro unidades de determinado componente.
Se forem programadas 500 unidades do produto final, serão necessárias 2.000 unidades desse componente.
O controle pode comparar:
Quantidade necessária: 2.000 unidades
Quantidade disponível: 1.600 unidades
Quantidade faltante: 400 unidades
Esse tipo de informação permite perceber a falta de material antes que a produção seja iniciada.
Também ajuda a evitar que uma Ordem de Produção seja liberada sem condições de ser concluída.
Quando a empresa trabalha com vários produtos que utilizam os mesmos componentes, esse acompanhamento se torna ainda mais importante, pois o mesmo material pode estar comprometido com diferentes necessidades.
Liberação da Ordem de Produção
Depois que a necessidade foi planejada e os principais recursos foram avaliados, a fabricação pode ser formalizada por meio de uma Ordem de Produção.
A OP transforma aquilo que estava previsto em uma atividade que pode ser acompanhada durante sua execução.
Ela pode reunir informações como:
-
número da ordem;
-
produto;
-
quantidade;
-
prazo;
-
prioridade;
-
materiais;
-
processos;
-
situação atual.
Por exemplo, uma necessidade de produzir 1.000 unidades pode gerar uma Ordem de Produção com quantidade programada de 1.000 unidades e prazo de conclusão definido.
A partir desse momento, a empresa consegue acompanhar o andamento daquela fabricação individualmente.
A ordem pode passar por diferentes situações, como planejada, liberada, em produção ou concluída.
Essa organização ajuda principalmente quando existem diversas fabricações acontecendo ao mesmo tempo.
Execução e apontamento da fabricação
Durante a execução, é necessário registrar aquilo que realmente aconteceu.
Esse registro é chamado de apontamento de produção.
O planejamento informa o que deveria ser produzido. O apontamento mostra aquilo que efetivamente foi realizado.
Considere a seguinte situação:
Programado: 1.000 unidades
Produzido: 920 unidades
Refugo: 20 unidades
Restante: 60 unidades
Esses dados mostram que a produção ainda não foi totalmente concluída.
Também permitem perceber que uma parte da quantidade fabricada foi considerada refugo.
Dependendo do nível de controle adotado, outros dados podem ser registrados, como:
-
quantidade aprovada;
-
quantidade rejeitada;
-
horário de início;
-
horário de término;
-
máquina utilizada;
-
operação executada;
-
materiais consumidos;
-
motivo das perdas.
Quanto mais atualizado estiver o apontamento, mais próxima da realidade estará a visão apresentada pelo sistema.
Atualização contínua da Ordem de Produção
A Ordem de Produção não precisa ser atualizada somente no início e no final da fabricação.
Ela pode acompanhar a evolução do processo.
Se uma ordem possui 2.000 unidades programadas e o primeiro apontamento registra 500 unidades concluídas, ainda restam 1.500.
Depois de um novo apontamento de 800 unidades, o saldo passa para 700 unidades.
Assim, o acompanhamento pode demonstrar continuamente:
-
quantidade programada;
-
quantidade realizada;
-
quantidade pendente;
-
quantidade perdida;
-
situação da ordem.
Essa visualização ajuda a identificar produções atrasadas ou com ritmo abaixo do planejado.
Conclusão da produção e entrada no estoque
Quando a quantidade planejada é finalizada ou a empresa encerra formalmente a fabricação, a Ordem de Produção pode ser concluída.
Nesse momento, os produtos aprovados podem ser incorporados ao estoque.
Imagine que uma ordem tenha produzido 1.000 unidades, sendo 980 aprovadas e 20 classificadas como refugo.
O estoque deve considerar as 980 unidades disponíveis, e não toda a quantidade processada.
Essa diferença é importante para manter os saldos mais próximos da realidade.
A integração entre produção e estoque também reduz a necessidade de registrar novamente uma informação que já foi gerada durante a fabricação.
O fluxo passa a seguir uma sequência organizada:
Produção concluída → Quantidade aprovada → Encerramento da OP → Entrada no estoque
Com esse processo, as informações geradas durante a fabricação continuam sendo utilizadas depois da conclusão da ordem.
O estoque passa a refletir os produtos disponíveis, enquanto os registros da produção permanecem disponíveis para consultas, análises e comparação entre aquilo que foi planejado e o que realmente foi realizado.
Principais controles de um Sistema de Controle de Produção
Para acompanhar a fabricação de maneira organizada, é importante que diferentes informações sejam registradas ao longo do processo. Um Sistema de Controle de Produção pode concentrar esses dados e permitir que a empresa visualize desde a necessidade de materiais até a entrada dos produtos acabados no estoque.
O objetivo não é acompanhar cada informação isoladamente. O valor do controle está justamente na conexão entre Ordens de Produção, estoque, materiais, apontamentos, capacidade e resultados.
Quando esses registros estão relacionados, uma movimentação realizada durante a fabricação pode atualizar outras áreas do processo automaticamente ou servir de base para novas decisões.
A tabela abaixo apresenta alguns dos principais controles envolvidos.
| Controle | O que acompanha | Exemplo de informação |
|---|---|---|
| Ordens de Produção | Fabricações planejadas, abertas e concluídas | OP de 500 unidades em andamento |
| Matéria-prima | Disponibilidade, necessidade e consumo | 200 kg necessários para determinada OP |
| Estrutura do produto | Componentes utilizados na fabricação | Quantidade de materiais por unidade |
| Apontamento de produção | Quantidade efetivamente produzida | 420 de 500 unidades concluídas |
| Capacidade produtiva | Disponibilidade dos recursos | Horas disponíveis por equipamento |
| Perdas e refugos | Materiais ou produtos descartados | 12 unidades rejeitadas |
| Estoque produzido | Entrada dos produtos fabricados | 500 unidades disponíveis após a conclusão |
| Indicadores | Desempenho da operação | Produtividade, atraso, perdas e eficiência |
Ordens de Produção organizam aquilo que será fabricado
A Ordem de Produção funciona como um dos principais registros da fabricação.
Ela reúne informações sobre determinada necessidade produtiva e permite acompanhar a evolução do trabalho até sua finalização.
Uma OP pode indicar, por exemplo:
-
produto que será fabricado;
-
quantidade planejada;
-
prazo;
-
prioridade;
-
quantidade já concluída;
-
quantidade restante;
-
materiais necessários;
-
situação atual.
Se uma ordem prevê 500 unidades e já foram concluídas 420, o acompanhamento mostra que ainda existem 80 unidades pendentes.
Isso permite entender rapidamente quanto da produção já foi realizado e quanto ainda precisa ser executado.
Controle de matéria-prima evita iniciar produções sem recursos suficientes
Outro ponto importante é acompanhar os materiais necessários para realizar a fabricação.
Antes de liberar uma Ordem de Produção, a empresa precisa saber se possui estoque suficiente para atender aquela necessidade.
Imagine que determinada fabricação utilize 200 kg de matéria-prima.
O controle pode apresentar:
-
necessidade: 200 kg;
-
quantidade disponível: 230 kg;
-
quantidade utilizada: 180 kg;
-
saldo disponível após o consumo: 50 kg.
Esse acompanhamento ajuda a evitar que a produção seja interrompida porque determinado material acabou durante o processo.
Também facilita identificar consumos acima ou abaixo do previsto.
Estrutura do produto mostra quais materiais serão utilizados
Para saber quais matérias-primas são necessárias, é importante manter a estrutura dos produtos atualizada.
A estrutura indica os componentes e suas respectivas quantidades.
Por exemplo, para fabricar uma unidade do Produto A podem ser necessários:
-
duas unidades do Componente B;
-
uma unidade do Componente C;
-
300 gramas da Matéria-prima D.
Se forem programadas 100 unidades do Produto A, essas informações podem ser utilizadas para calcular a necessidade total dos componentes.
Quanto mais organizada estiver a estrutura, maior tende a ser a precisão do planejamento dos materiais.
Apontamento registra aquilo que realmente aconteceu
Enquanto a Ordem de Produção mostra aquilo que foi planejado, o apontamento registra o que efetivamente aconteceu durante a fabricação.
Uma ordem pode prever 500 unidades, mas o resultado até determinado momento pode ser:
Programado: 500 unidades
Produzido: 420 unidades
Refugo: 10 unidades
Restante: 70 unidades
O apontamento permite visualizar essa diferença e acompanhar o avanço da fabricação.
Dependendo da operação, também podem ser registrados tempos, recursos utilizados, consumo de materiais, perdas e ocorrências.
Isso ajuda a manter os registros próximos da realidade da fábrica.
Capacidade produtiva ajuda a entender os limites da operação
Não basta existir demanda para produzir. Também é necessário verificar se existem recursos suficientes para executar aquilo que foi planejado.
O controle de capacidade pode considerar informações como:
-
horas disponíveis por máquina;
-
tempo necessário por operação;
-
quantidade de Ordens de Produção programadas;
-
ocupação dos equipamentos;
-
disponibilidade dos centros de trabalho.
Imagine que determinada máquina tenha 40 horas disponíveis durante uma semana.
Se as Ordens de Produção programadas exigirem 55 horas, existe uma diferença de 15 horas que precisa ser analisada.
Nesse caso, a empresa pode reorganizar prioridades, redistribuir a programação ou ajustar os prazos.
Perdas e refugos precisam ser registrados separadamente
Nem toda quantidade processada se transforma em produto aprovado.
Durante a fabricação podem ocorrer perdas, refugos, sobras ou rejeições.
Imagine uma Ordem de Produção com 1.000 unidades planejadas.
Ao final do processo:
Produzido: 1.000 unidades
Aprovado: 980 unidades
Refugo: 20 unidades
Se o sistema considerar as 1.000 unidades como disponíveis em estoque, o saldo ficará incorreto.
Por isso, o registro das perdas deve estar relacionado ao apontamento e à entrada dos produtos acabados.
Além de melhorar a precisão do estoque, esse controle permite identificar produtos, etapas ou períodos com maior ocorrência de perdas.
Estoque produzido deve refletir somente os produtos disponíveis
Depois que uma fabricação é concluída, os produtos aprovados podem ser incorporados ao estoque.
Essa entrada deve representar aquilo que realmente ficou disponível para utilização ou comercialização.
Se uma ordem produzir 500 unidades e 490 forem aprovadas, o estoque deve receber as 490 unidades disponíveis.
Essa atualização cria uma ligação direta entre a produção realizada e o saldo dos produtos acabados.
Também evita que o estoque seja atualizado manualmente em um controle separado, reduzindo diferenças entre produção e disponibilidade registrada.
Indicadores transformam registros em informações para análise
Todos os dados coletados durante a produção também podem alimentar indicadores.
Entre as informações que podem ser acompanhadas estão:
-
quantidade planejada e realizada;
-
Ordens de Produção em atraso;
-
percentual de perdas;
-
consumo de matéria-prima;
-
tempo de fabricação;
-
utilização da capacidade;
-
produtividade;
-
eficiência da operação.
Esses indicadores ajudam a transformar registros operacionais em informações que podem apoiar decisões.
Se determinada etapa apresenta perdas frequentes, por exemplo, os registros permitem identificar a recorrência e investigar suas causas.
Por que todos esses controles precisam estar conectados?
Controlar cada informação separadamente reduz a visão sobre aquilo que realmente está acontecendo.
Uma Ordem de Produção não deve existir sem relação com os materiais utilizados, os apontamentos realizados e os produtos posteriormente adicionados ao estoque.
Na prática, uma única movimentação pode gerar várias atualizações.
Ao concluir determinada fabricação, o fluxo pode ser:
Consumo de matéria-prima → Registro da produção → Atualização da OP → Entrada do produto acabado no estoque
Imagine uma indústria que recebe uma Ordem de Produção para fabricar 500 unidades.
Primeiro, o sistema identifica os materiais necessários com base na estrutura do produto.
Durante a execução, os materiais utilizados são registrados.
Depois, os apontamentos informam quantas unidades foram produzidas e se ocorreram perdas.
Quando a quantidade planejada é concluída, a situação da Ordem de Produção é atualizada.
Por fim, os produtos aprovados entram no estoque.
Dessa maneira, aquilo que acontece em uma etapa passa a alimentar a seguinte.
Essa integração também melhora a rastreabilidade. Se surgir uma diferença no estoque, por exemplo, é possível consultar quais Ordens de Produção movimentaram aquele produto e quais quantidades foram registradas.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos materiais.
Caso determinada matéria-prima apresente consumo acima do esperado, os registros podem ajudar a identificar em quais produções ela foi utilizada e comparar o consumo previsto com o realizado.
Assim, o Sistema de Controle de Produção deixa de funcionar como um simples registro de fabricação e passa a organizar um fluxo no qual materiais, Ordens de Produção, apontamentos, estoque e indicadores trabalham com informações relacionadas entre si.
Como funcionam as Ordens de Produção dentro do sistema?
As Ordens de Produção são fundamentais para organizar aquilo que precisa ser fabricado. Elas transformam uma necessidade identificada no planejamento em uma atividade que pode ser liberada, executada, acompanhada e posteriormente encerrada.
Dentro de um Sistema de Controle de Produção, a OP funciona como um registro central da fabricação. Nela podem ficar reunidas informações que permitem acompanhar desde a quantidade planejada até aquilo que efetivamente foi produzido.
Isso facilita principalmente operações que trabalham com várias fabricações simultâneas, diferentes prazos e produtos que utilizam recursos em comum.
O que é uma Ordem de Produção?
A Ordem de Produção, também chamada de OP, é um documento ou registro utilizado para autorizar e organizar a fabricação de determinado produto.
Ela estabelece o que deverá ser produzido e permite acompanhar a evolução da atividade.
Imagine que a empresa identifique a necessidade de fabricar 800 unidades de um produto. Em vez de deixar essa informação somente em uma planilha ou anotação, uma OP pode ser aberta contendo a quantidade, o prazo e outras informações necessárias.
A partir disso, a fabricação passa a possuir uma identificação própria, facilitando consultas e atualizações ao longo do processo.
A ordem pode ser utilizada para responder questões como:
-
qual produto está sendo fabricado;
-
quanto precisa ser produzido;
-
quanto já foi concluído;
-
quando a fabricação começou;
-
qual é o prazo esperado;
-
quais materiais serão utilizados;
-
quais operações precisam ser realizadas;
-
qual é a situação atual da produção.
Assim, a OP ajuda a criar uma sequência organizada entre planejamento e execução.
Quais informações podem fazer parte da OP?
O nível de detalhamento depende das características da indústria e do processo produtivo.
Entre as informações que podem ser registradas estão:
-
número da Ordem de Produção;
-
produto que será fabricado;
-
quantidade planejada;
-
quantidade realizada;
-
data de abertura;
-
data prevista para conclusão;
-
prioridade;
-
etapa atual;
-
materiais relacionados;
-
operações necessárias;
-
recursos utilizados;
-
perdas registradas;
-
situação da ordem.
O número da OP facilita sua identificação, principalmente quando existem diversas ordens abertas ao mesmo tempo.
A quantidade planejada indica aquilo que inicialmente deveria ser produzido, enquanto a quantidade realizada mostra quanto já foi concluído.
As datas permitem verificar se determinada fabricação está dentro do prazo.
Já a prioridade ajuda a organizar a sequência das atividades quando diferentes produtos disputam os mesmos recursos produtivos.
Como os status ajudam a acompanhar a fabricação?
Uma Ordem de Produção pode passar por diferentes situações desde sua criação até o encerramento.
Entre os status utilizados estão:
-
Planejada;
-
Liberada;
-
Em produção;
-
Parcialmente concluída;
-
Pausada;
-
Concluída;
-
Cancelada.
Uma ordem planejada representa uma fabricação prevista, mas que ainda não foi necessariamente liberada para execução.
Quando passa para liberada, significa que a fabricação já pode seguir para as etapas operacionais.
O status em produção demonstra que existem atividades sendo executadas.
Já uma ordem parcialmente concluída pode indicar que parte da quantidade foi fabricada, mas ainda existe saldo pendente.
O status pausado ajuda a identificar produções temporariamente interrompidas, enquanto concluída indica que a atividade foi encerrada.
Essas situações facilitam a consulta porque permitem identificar rapidamente quais ordens ainda exigem alguma ação.
Como acompanhar o saldo de produção?
Um dos controles mais importantes da OP é a comparação entre quantidade planejada e quantidade realizada.
Imagine uma ordem criada para produzir 800 unidades.
Após alguns apontamentos, foram concluídas 500 unidades.
O acompanhamento pode demonstrar:
Quantidade planejada: 800 unidades
Quantidade realizada: 500 unidades
Saldo a produzir: 300 unidades
Com essa informação, fica claro que a fabricação ainda não terminou.
Se posteriormente forem apontadas mais 200 unidades, o saldo será reduzido para 100.
Esse acompanhamento contínuo evita depender apenas da situação "em produção", que não demonstra exatamente quanto ainda falta.
Também pode ajudar no planejamento dos próximos períodos, pois uma ordem com pequeno saldo pendente possui uma situação diferente daquela que ainda nem começou.
Como definir prioridades entre diferentes ordens?
Quando diversas Ordens de Produção estão abertas, nem sempre é possível executar todas ao mesmo tempo.
A empresa precisa estabelecer uma sequência considerando fatores como:
-
prazo de entrega;
-
disponibilidade de matéria-prima;
-
capacidade das máquinas;
-
quantidade pendente;
-
prioridade do pedido;
-
dependência entre etapas;
-
atraso acumulado.
Imagine duas ordens aguardando a mesma máquina.
A primeira possui prazo para o dia seguinte, enquanto a segunda pode ser concluída dentro de uma semana.
Nesse cenário, visualizar os prazos ajuda a definir qual atividade deverá receber atenção primeiro.
A priorização também pode mudar.
Se um material necessário para determinada ordem não estiver disponível, pode ser mais eficiente avançar outra fabricação que já possui todos os recursos necessários.
Por isso, acompanhar as OPs permite reorganizar a programação conforme as condições reais da fábrica mudam.
Como o sistema controla matéria-prima, estrutura de produto e estoque?
A produção depende diretamente dos materiais disponíveis.
Não basta determinar aquilo que precisa ser fabricado. Também é necessário identificar quais componentes serão utilizados, calcular as quantidades necessárias e verificar se o estoque consegue atender a demanda.
Por isso, produção e estoque precisam trabalhar com informações relacionadas.
Quando materiais e produtos são acompanhados dentro do mesmo fluxo, fica mais fácil identificar necessidades antes que a fabricação seja interrompida por falta de matéria-prima.
O que é a estrutura de produto?
A estrutura de produto representa os componentes e respectivas quantidades necessárias para fabricar determinado item.
Imagine o Produto A.
Para fabricar uma unidade, podem ser necessários:
-
2 unidades do Componente B;
-
1 unidade do Componente C;
-
500 gramas da Matéria-prima D.
Essa composição precisa estar corretamente cadastrada para que seja possível calcular o consumo esperado.
Se a empresa alterar um componente ou modificar sua quantidade, a estrutura também precisa ser atualizada.
Caso contrário, o planejamento continuará utilizando informações antigas, podendo calcular necessidades incorretas.
Como calcular a necessidade de materiais?
Depois de conhecer a estrutura, o sistema pode relacioná-la à quantidade que será fabricada.
Considere novamente o Produto A.
Para cada unidade são necessárias:
2 unidades do Componente B
1 unidade do Componente C
500 gramas da Matéria-prima D
Se a Ordem de Produção possuir 100 unidades, a necessidade será:
Componente B: 200 unidades
Componente C: 100 unidades
Matéria-prima D: 50 kg
Esse cálculo permite antecipar a quantidade necessária antes da fabricação começar.
Em processos que possuem muitos componentes, realizar essas contas manualmente pode se tornar trabalhoso e aumentar a possibilidade de erros.
Material necessário, disponível, reservado e faltante
Além de calcular a necessidade, é importante entender a situação real de cada material.
Existem diferenças entre quatro informações importantes:
Material necessário é aquilo que a produção precisará consumir.
Material disponível representa o saldo existente no estoque que pode ser utilizado.
Material reservado corresponde à quantidade que já está comprometida com alguma necessidade.
Material faltante representa aquilo que será necessário, mas não está disponível em quantidade suficiente.
Imagine a seguinte situação:
Necessário para produção: 500 unidades
Estoque físico: 600 unidades
Reservado para outra OP: 250 unidades
Disponível para nova produção: 350 unidades
Faltante: 150 unidades
Se a empresa olhar somente o saldo físico de 600 unidades, pode imaginar que possui material suficiente.
Entretanto, parte desse saldo já está comprometida.
Diferenciar disponibilidade e reserva ajuda a reduzir esse tipo de problema.
Como funciona a baixa de matéria-prima?
Durante a fabricação, os materiais utilizados precisam ser descontados do estoque.
Essa movimentação é conhecida como baixa de matéria-prima.
Ela pode acontecer conforme os materiais são consumidos ou de acordo com a forma como a empresa organiza seus apontamentos.
Se uma OP utilizar 100 kg de determinado material, essa quantidade precisa ser relacionada à fabricação e refletida no estoque.
A integração permite criar um fluxo como:
Material disponível → Consumo na produção → Baixa no estoque → Atualização do saldo
Dentro de um Sistema de Controle de Produção, essa relação contribui para que o estoque acompanhe aquilo que realmente está sendo utilizado na fábrica.
Por que comparar consumo previsto e consumo real?
A estrutura do produto informa quanto deveria ser consumido.
Entretanto, a quantidade efetivamente utilizada pode ser diferente.
Imagine que uma fabricação tenha previsão de utilizar 100 kg de matéria-prima.
Ao final, os apontamentos demonstram:
Previsto: 100 kg
Consumido: 108 kg
Diferença: 8 kg
A diferença não deve ser ignorada.
Ela pode estar relacionada a:
-
perdas durante o processo;
-
desperdício;
-
configuração incorreta da estrutura;
-
variação no método de fabricação;
-
retrabalho;
-
quantidade produzida diferente do planejado.
Uma ocorrência isolada pode não representar um problema relevante. Porém, diferenças frequentes merecem análise.
Se várias Ordens de Produção apresentam consumo acima do previsto, pode existir uma oportunidade de revisar estruturas ou processos.
Como ocorre a entrada do produto acabado no estoque?
Enquanto os materiais são consumidos, os produtos fabricados seguem o caminho contrário: depois de aprovados, podem ser adicionados ao estoque.
Imagine uma OP de 500 unidades.
Ao final foram registradas:
Quantidade processada: 500 unidades
Quantidade aprovada: 485 unidades
Refugo: 15 unidades
Nesse caso, a quantidade disponível de produto acabado deverá considerar as 485 unidades aprovadas.
O fluxo pode ser representado da seguinte maneira:
Matéria-prima → Consumo → Fabricação → Apontamento → Produto aprovado → Entrada no estoque
Esse processo ajuda a manter uma relação direta entre aquilo que foi produzido e aquilo que está disponível.
Também permite acompanhar o histórico das movimentações.
Se determinada quantidade aparecer no estoque, é possível relacioná-la à produção que originou aquela entrada.
Da mesma forma, quando a matéria-prima é consumida, seu registro pode permanecer associado à Ordem de Produção responsável pela movimentação.
Essa conexão entre estrutura, necessidade de materiais, consumo e estoque torna o controle mais confiável e facilita acompanhar o caminho dos materiais desde sua disponibilidade até a transformação em produto acabado.
Como controlar etapas, processos e capacidade produtiva?
Controlar a produção não significa acompanhar somente quanto foi fabricado. Em muitas indústrias, um produto precisa passar por várias etapas até ficar pronto. Cada uma delas pode utilizar máquinas, equipamentos, setores e tempos diferentes.
Por isso, um Sistema de Controle de Produção também pode ajudar a organizar o caminho que o produto percorre dentro da fábrica, acompanhar os recursos utilizados e verificar se existe capacidade suficiente para atender aquilo que foi planejado.
Esse acompanhamento permite entender onde cada Ordem de Produção está, quais operações ainda precisam ser realizadas e quais recursos estão mais carregados.
Como funciona um roteiro de produção?
O roteiro de produção representa a sequência de operações necessárias para transformar matérias-primas ou componentes em um produto acabado.
Um determinado item pode seguir, por exemplo, o seguinte processo:
Corte → Usinagem → Montagem → Acabamento → Inspeção → Produto acabado
Cada etapa possui uma função específica.
No corte, o material pode ser preparado nas dimensões necessárias. Depois, segue para usinagem, onde recebe determinadas características. Na montagem, diferentes componentes podem ser unidos. Em seguida, o acabamento prepara o produto para a inspeção final.
Nem todos os produtos seguem o mesmo caminho.
Outro item pode exigir apenas:
Preparação → Montagem → Inspeção
Por isso, o roteiro precisa representar aquilo que realmente acontece na operação.
Esse cadastro ajuda a definir quais etapas precisam ser concluídas antes que o produto possa avançar.
Também permite localizar mais facilmente uma fabricação.
Em vez de visualizar apenas que determinada Ordem de Produção está "em andamento", a empresa pode identificar que ela está atualmente na etapa de usinagem e que ainda precisa passar por montagem, acabamento e inspeção.
O que são centros de trabalho?
As operações normalmente dependem de algum recurso produtivo.
Para organizar esses recursos, podem ser utilizados centros de trabalho.
Um centro de trabalho representa um agrupamento utilizado para executar determinadas atividades dentro da produção.
Ele pode representar:
-
uma máquina;
-
um conjunto de máquinas;
-
uma linha de produção;
-
um setor produtivo;
-
uma bancada;
-
um equipamento específico;
-
uma área responsável por determinada operação.
Imagine que uma indústria possua três máquinas utilizadas no processo de corte.
Esses equipamentos podem ser controlados individualmente ou agrupados em um centro de trabalho denominado "Corte", dependendo da necessidade de detalhamento da operação.
Outro centro pode representar a montagem.
Ao relacionar as etapas aos centros de trabalho, torna-se possível entender quais recursos serão necessários para executar cada fabricação.
Esse tipo de organização também ajuda no planejamento da capacidade.
Se várias Ordens de Produção dependem do mesmo equipamento, existe uma limitação que precisa ser considerada antes de definir os prazos.
Como controlar o tempo das operações?
O tempo é uma informação importante para entender a capacidade produtiva.
Uma operação pode possuir um tempo planejado com base naquilo que normalmente é necessário para executá-la.
Durante a fabricação, esse tempo pode ser comparado com aquilo que realmente aconteceu.
O acompanhamento pode considerar:
-
tempo previsto;
-
tempo realizado;
-
tempo parado.
Imagine uma operação que deveria levar quatro horas.
Ao final do processo, foram registradas cinco horas de execução e uma hora de parada.
Essa diferença pode indicar que alguma situação interferiu no ritmo planejado.
O objetivo não é analisar apenas um resultado isolado, mas observar se determinadas diferenças começam a se repetir.
Se uma operação planejada para quatro horas frequentemente exige seis, o tempo utilizado no planejamento pode estar incorreto ou existir algum problema no processo.
Da mesma forma, paradas recorrentes podem indicar necessidade de investigação.
O que significa capacidade produtiva?
A capacidade produtiva representa quanto determinado recurso consegue realizar dentro de um período.
Uma empresa pode ter uma grande quantidade de pedidos, mas isso não significa que possui capacidade para fabricar tudo imediatamente.
É necessário considerar fatores como:
-
horas disponíveis;
-
quantidade de máquinas;
-
tempo das operações;
-
quantidade de Ordens de Produção;
-
sequência das atividades;
-
disponibilidade dos recursos.
Imagine uma máquina que possua 40 horas disponíveis em uma semana.
Se as Ordens de Produção programadas exigirem 32 horas, ainda existem oito horas disponíveis.
Por outro lado, se a programação exigir 55 horas, existe uma sobrecarga de 15 horas.
Essa informação precisa ser conhecida antes que os prazos sejam comprometidos.
A empresa pode então reorganizar as prioridades, alterar datas ou verificar se existe outro recurso capaz de executar parte das operações.
Por que demanda e capacidade precisam ser analisadas juntas?
Planejar somente com base na demanda pode gerar uma programação difícil de cumprir.
Imagine que exista necessidade de produzir 5.000 unidades durante a semana.
Se a capacidade atual permitir fabricar apenas 3.500 unidades no mesmo período, existe uma diferença de 1.500 unidades que precisa ser tratada.
Nesse cenário, algumas decisões podem ser necessárias:
-
redefinir prioridades;
-
reorganizar Ordens de Produção;
-
redistribuir atividades;
-
revisar os prazos;
-
analisar a utilização dos recursos;
-
verificar quais produtos possuem maior urgência.
A capacidade funciona, portanto, como um limite que precisa ser considerado durante o planejamento.
Como identificar gargalos na produção?
Um gargalo é um ponto do processo que limita o fluxo produtivo.
Ele pode acontecer quando uma determinada operação possui capacidade menor do que as etapas anteriores ou posteriores.
Imagine o seguinte fluxo:
Corte → Usinagem → Montagem
O setor de corte consegue processar 1.000 unidades por dia.
A usinagem consegue processar somente 600.
A montagem consegue processar 900.
Nesse caso, a usinagem pode começar a receber mais itens do que consegue processar, formando uma fila.
Alguns sinais podem ajudar a identificar um possível gargalo:
-
aumento das filas antes de determinada etapa;
-
Ordens de Produção frequentemente atrasadas no mesmo ponto;
-
equipamentos constantemente sobrecarregados;
-
aumento do tempo de espera;
-
acúmulo de itens em processo;
-
baixa utilização dos recursos posteriores.
Visualizar essas ocorrências ajuda a entender em qual ponto a produção está perdendo ritmo.
O acompanhamento das etapas e da capacidade permite tomar decisões com base na realidade da fábrica, e não apenas na quantidade que se deseja produzir.
O que é apontamento de produção e por que ele é importante?
O planejamento define aquilo que deveria acontecer na produção. O apontamento registra aquilo que efetivamente aconteceu.
Essa diferença é fundamental.
Uma Ordem de Produção pode estabelecer a fabricação de 2.000 unidades em determinado período. Entretanto, durante a execução podem ocorrer paradas, perdas, atrasos ou produção parcial.
O apontamento serve justamente para registrar essas informações.
Dentro de um Sistema de Controle de Produção, esses registros ajudam a manter a situação das Ordens de Produção atualizada e fornecem dados para análises posteriores.
O que pode ser registrado em um apontamento?
O nível de detalhe depende do processo da empresa.
Entre as informações que podem ser registradas estão:
-
quantidade produzida;
-
quantidade aprovada;
-
quantidade rejeitada;
-
operação executada;
-
horário de início;
-
horário de término;
-
recurso utilizado;
-
material consumido;
-
paradas;
-
motivos das ocorrências.
Imagine que uma operação tenha iniciado às 8 horas e terminado às 11 horas.
Durante esse período, foram produzidas 400 unidades, sendo 390 aprovadas e 10 rejeitadas.
Essas informações permitem entender não apenas quanto foi produzido, mas também qual foi o resultado daquele período.
Quando os apontamentos incluem informações sobre as operações executadas, também é possível acompanhar o avanço de uma Ordem de Produção entre diferentes etapas.
Produção planejada e produção realizada são informações diferentes
O planejamento trabalha com previsões.
Ele indica quanto deveria ser fabricado, quais recursos deveriam ser utilizados e quanto tempo determinada atividade deveria levar.
O apontamento apresenta o resultado real.
Por exemplo:
Quantidade planejada: 1.000 unidades
Quantidade realizada: 930 unidades
Quantidade rejeitada: 20 unidades
Saldo pendente: 50 unidades
Esse registro mostra que a quantidade inicialmente programada ainda não foi totalmente atendida.
Se apenas a quantidade planejada estivesse disponível, a empresa não saberia exatamente qual é a situação atual.
Por isso, comparar planejado e realizado é uma das principais funções do controle produtivo.
Como funciona o apontamento parcial?
Nem sempre uma Ordem de Produção é concluída de uma única vez.
Uma fabricação pode ocorrer durante vários períodos, turnos ou dias.
Nesse caso, podem ser realizados apontamentos parciais.
Imagine uma OP de 2.000 unidades.
Primeiro apontamento: 600 unidades
Segundo apontamento: 700 unidades
Terceiro apontamento: 500 unidades
Total realizado: 1.800 unidades
Saldo a produzir: 200 unidades
A cada novo registro, o saldo da ordem pode ser atualizado.
Essa forma de acompanhamento oferece uma visão mais precisa do andamento da fabricação.
Em vez de esperar a conclusão das 2.000 unidades para atualizar a OP, a empresa consegue acompanhar o avanço durante a execução.
Isso pode ser especialmente útil para ordens maiores ou processos que levam vários dias.
Por que registrar paradas e ocorrências?
Quando a produção fica abaixo do esperado, é importante compreender o motivo.
Registrar somente que foram produzidas 800 unidades quando o planejado era 1.000 não explica o que aconteceu.
Pode ter ocorrido:
-
falta de matéria-prima;
-
equipamento parado;
-
ajuste de máquina;
-
espera por uma etapa anterior;
-
retrabalho;
-
problema no processo;
-
interrupção temporária.
Ao registrar o motivo da ocorrência, o dado passa a ter maior utilidade.
Se determinada máquina apresenta paradas frequentes, por exemplo, o histórico pode mostrar a repetição desse comportamento.
Se várias ordens aguardam continuamente a mesma etapa, pode existir um gargalo naquele ponto.
Assim, os apontamentos contribuem não apenas para atualizar a produção, mas também para entender as causas dos desvios.
A qualidade do apontamento influencia os indicadores
Os indicadores dependem diretamente das informações registradas durante a operação.
Se os apontamentos forem incompletos, atrasados ou incorretos, os relatórios também poderão apresentar uma visão distorcida.
Imagine que uma produção tenha ocorrido pela manhã, mas o registro seja realizado somente vários dias depois.
Durante esse intervalo, a Ordem de Produção pode continuar aparecendo com uma quantidade incorreta, prejudicando o acompanhamento.
O mesmo acontece quando as perdas não são registradas.
Se 500 unidades forem processadas, mas 20 forem rejeitadas e essa diferença não for informada, o sistema poderá considerar uma quantidade disponível maior do que a existente.
Por isso, alguns cuidados são importantes:
-
realizar os apontamentos com frequência;
-
registrar quantidades corretamente;
-
diferenciar produção aprovada e rejeitada;
-
informar paradas relevantes;
-
utilizar motivos padronizados;
-
evitar registros duplicados;
-
manter as Ordens de Produção atualizadas.
Quanto maior a qualidade dos dados registrados, mais confiáveis serão as informações utilizadas para analisar produtividade, perdas, atrasos, capacidade e desempenho do processo produtivo.
Como controlar perdas, refugos, retrabalho e paradas na produção?
Nem tudo aquilo que entra em um processo produtivo necessariamente se transforma em produto acabado. Durante a fabricação podem ocorrer desperdícios de matéria-prima, itens rejeitados, retrabalhos, interrupções e outras situações que afetam o resultado da operação.
Por isso, controlar somente a quantidade produzida oferece uma visão incompleta da fábrica. Também é importante registrar aquilo que foi perdido, quais produtos precisaram passar novamente por alguma etapa e quanto tempo a produção permaneceu parada.
Um Sistema de Controle de Produção pode ajudar a relacionar essas ocorrências às Ordens de Produção, produtos, máquinas, etapas e períodos em que aconteceram. Dessa forma, os registros deixam de representar apenas números isolados e passam a fornecer informações que ajudam a localizar problemas recorrentes.
Quais tipos de perdas podem acontecer durante a fabricação?
As perdas podem ocorrer de diferentes formas, e nem todas devem ser registradas da mesma maneira.
Uma primeira distinção importante é entender exatamente o que aconteceu com o material ou produto.
Entre as situações que podem ser acompanhadas estão:
-
refugo;
-
sobra;
-
descarte;
-
perda de matéria-prima;
-
produto fora da especificação.
O refugo normalmente representa um item produzido que não possui condições de seguir como produto aprovado.
Imagine uma Ordem de Produção de 1.000 unidades. Durante a fabricação, 25 unidades apresentam defeitos que impossibilitam sua utilização.
O resultado pode ser registrado como:
Quantidade processada: 1.000 unidades
Quantidade aprovada: 975 unidades
Refugo: 25 unidades
Já uma sobra pode representar material que permaneceu depois da execução de determinada atividade e ainda precisa ter seu destino definido.
O descarte corresponde a materiais ou itens eliminados durante o processo.
Também podem existir perdas diretamente relacionadas à matéria-prima. Durante uma operação de corte, por exemplo, parte do material pode não ser aproveitada no produto final.
Separar essas situações melhora a qualidade das análises posteriores.
Por que classificar os motivos das perdas?
Registrar que ocorreram 50 unidades de perda é importante, mas essa informação isolada não explica o problema.
Para tornar o dado realmente útil, é interessante registrar também o motivo.
A classificação pode ser definida conforme a realidade da operação.
Uma empresa pode utilizar motivos como:
-
erro de regulagem;
-
material inadequado;
-
problema na operação;
-
dimensão incorreta;
-
falha no acabamento;
-
defeito identificado na inspeção;
-
desperdício durante o processo.
O objetivo da classificação é permitir que ocorrências semelhantes sejam agrupadas posteriormente.
Imagine que uma fábrica registre 200 unidades de refugo durante um mês.
Analisando somente o total, sabe-se que houve uma perda.
Ao separar por motivo, o cenário pode ser:
90 unidades por problema de regulagem
50 unidades por matéria-prima
40 unidades por dimensão incorreta
20 unidades por outros motivos
Nesse caso, o problema de regulagem aparece como a ocorrência mais frequente.
Essa informação ajuda a direcionar a análise para o ponto que representa maior impacto.
Como controlar produtos que precisam de retrabalho?
Nem todo produto que apresenta algum problema precisa necessariamente ser descartado.
Em determinadas situações, o item pode retornar para uma etapa anterior e passar por uma nova operação até atingir as condições esperadas.
Esse processo é chamado de retrabalho.
O retrabalho precisa ser identificado separadamente da produção aprovada.
Imagine que uma fabricação processe 500 unidades.
Ao final de determinada etapa:
470 unidades foram aprovadas;
20 unidades precisam de retrabalho;
10 unidades foram consideradas refugo.
Considerar as 500 unidades como produção aprovada faria o registro apresentar um resultado diferente da realidade.
As 20 unidades que precisam de correção ainda não completaram todo o processo necessário.
O acompanhamento pode registrar:
-
quantidade em retrabalho;
-
produto relacionado;
-
Ordem de Produção;
-
etapa em que o problema foi identificado;
-
operação que precisa ser refeita;
-
motivo;
-
quantidade posteriormente recuperada.
Esse controle também ajuda a compreender quanto esforço produtivo está sendo utilizado para corrigir itens que já passaram anteriormente pelo processo.
Por que acompanhar a frequência dos retrabalhos?
Um retrabalho ocasional pode ocorrer em diferentes operações industriais. Porém, quando o mesmo problema acontece repetidamente, a situação merece atenção.
Imagine que uma determinada etapa registre retrabalho em quase todas as Ordens de Produção.
Esse comportamento pode indicar necessidade de avaliar aspectos como:
-
parâmetros do processo;
-
qualidade do material;
-
configuração dos equipamentos;
-
sequência das operações;
-
instruções utilizadas na fabricação.
A análise histórica permite perceber essa repetição.
Sem um registro padronizado, os retrabalhos podem ser tratados individualmente e a empresa pode não perceber que existe um padrão.
Como registrar as paradas da produção?
Além das perdas de materiais e produtos, as interrupções também afetam o desempenho produtivo.
Uma máquina pode ficar indisponível durante parte do dia ou uma operação pode permanecer aguardando alguma condição para continuar.
Alguns motivos de parada que podem ser registrados são:
-
falta de material;
-
ajuste de equipamento;
-
manutenção;
-
troca de ferramenta;
-
espera pela etapa anterior;
-
falta de programação.
Também podem ser definidos outros motivos conforme o processo produtivo.
Imagine que uma máquina esteja disponível por oito horas em determinado dia, mas permaneça parada durante uma hora e meia devido à falta de material.
Registrar somente seis horas e meia de produção não mostra por que o recurso ficou sem operar durante parte do período.
Ao identificar o motivo da parada, torna-se possível analisar posteriormente quanto tempo foi perdido devido à falta de material.
Tempo de parada também precisa ser analisado
Duas ocorrências podem possuir impactos completamente diferentes.
Uma máquina pode parar dez vezes durante o mês por cinco minutos.
Outra pode apresentar somente uma parada, mas permanecer indisponível por oito horas.
Por isso, a análise pode considerar tanto a quantidade de ocorrências quanto a duração das interrupções.
É possível observar informações como:
Número de paradas: 6
Tempo total parado: 4 horas
Motivo predominante: ajuste de equipamento
Recurso: Máquina A
Período: semana atual
Essa combinação oferece uma visão mais completa do problema.
Quanto, onde, quando e por que aconteceu?
Registrar perdas, refugos e paradas passa a gerar maior valor quando as informações podem ser relacionadas.
Uma análise útil pode seguir quatro perguntas:
Quanto ocorreu → Onde ocorreu → Quando ocorreu → Por qual motivo
Primeiro, é necessário saber a quantidade perdida ou o tempo de parada.
Depois, localizar em qual produto, etapa, máquina ou processo o problema aconteceu.
O período também é importante para identificar mudanças ou recorrências.
Por fim, o motivo ajuda a entender a origem registrada para aquela ocorrência.
Imagine que determinada análise demonstre:
Perda: 120 unidades
Etapa: acabamento
Período: últimos 30 dias
Motivo mais frequente: produto fora da especificação
Com esse nível de informação, a empresa consegue direcionar a investigação com maior precisão do que simplesmente sabendo que perdeu 120 unidades.
Quais indicadores podem ser acompanhados em um Sistema de Controle de Produção?
Os registros realizados diariamente podem ser transformados em indicadores que facilitam o acompanhamento da operação.
Indicadores produtivos permitem comparar aquilo que foi planejado com os resultados obtidos e identificar situações que merecem atenção.
No entanto, não é necessário acompanhar uma quantidade excessiva de números. O mais importante é escolher informações que realmente ajudem a compreender o desempenho da produção.
Produção planejada versus realizada
Um dos controles mais simples e importantes é comparar quanto deveria ser produzido com quanto realmente foi concluído.
Imagine que o planejamento determine a fabricação de 5.000 unidades durante uma semana.
Ao final do período, foram produzidas 4.500 unidades.
Nesse caso:
Planejado: 5.000 unidades
Realizado: 4.500 unidades
Diferença: 500 unidades
Essa diferença pode levar a uma análise mais detalhada.
É possível verificar se houve falta de material, capacidade insuficiente, paradas ou atraso em alguma etapa.
A comparação entre planejado e realizado também pode ser feita por produto, período ou Ordem de Produção.
Cumprimento das Ordens de Produção
Outro indicador relevante é acompanhar quantas Ordens de Produção foram concluídas conforme o prazo previsto.
Imagine que existam 20 ordens programadas para determinado período.
Dessas:
16 foram concluídas dentro do prazo;
3 terminaram atrasadas;
1 permanece aberta.
O resultado ajuda a perceber se o planejamento está sendo cumprido ou se atrasos estão ocorrendo com frequência.
Também é possível analisar quais produtos, setores ou operações aparecem com maior frequência entre as ordens atrasadas.
Índice de perdas
O índice de perdas ajuda a entender quanto daquilo que passou pelo processo não se transformou em produção aprovada.
Suponha que determinada fabricação tenha processado 10.000 unidades e registrado 300 unidades rejeitadas.
Esse resultado representa uma parcela da produção que não chegou ao estoque como produto aprovado.
Mais importante do que olhar somente para o percentual é observar sua evolução.
Se determinado produto normalmente apresenta poucas perdas e começa a registrar aumento contínuo, pode existir alguma mudança no processo que precisa ser investigada.
O indicador também pode ser separado por motivo, operação ou máquina.
Produtividade
A produtividade relaciona a quantidade produzida ao recurso ou período utilizado.
Uma análise pode verificar, por exemplo, quantas unidades foram fabricadas por hora em determinado equipamento.
Imagine:
Máquina A: 400 unidades em 4 horas
Máquina B: 400 unidades em 6 horas
Mesmo produzindo a mesma quantidade, os recursos apresentaram resultados diferentes em relação ao tempo utilizado.
Antes de tirar conclusões, porém, é necessário considerar as características de cada equipamento e operação.
Máquinas diferentes podem executar processos distintos ou trabalhar com produtos de complexidades diferentes.
Por isso, comparações precisam utilizar critérios equivalentes.
Tempo previsto versus tempo realizado
As operações podem possuir tempos previamente definidos durante o planejamento.
Depois da execução, o tempo registrado pode ser comparado com essa previsão.
Por exemplo:
Tempo previsto: 5 horas
Tempo realizado: 6 horas e 30 minutos
Diferença: 1 hora e 30 minutos
Uma ocorrência isolada pode ter diversas explicações.
Quando a mesma diferença aparece repetidamente, pode indicar que o tempo utilizado no planejamento precisa ser revisto ou que existe alguma condição operacional aumentando a duração da atividade.
Capacidade utilizada
A capacidade utilizada mostra quanto da disponibilidade de um recurso foi ocupada.
Considere uma máquina com 40 horas disponíveis durante determinada semana.
Se ela foi utilizada por 32 horas em atividades produtivas, ainda existe uma parcela da capacidade que não foi ocupada.
Por outro lado, quando a programação exige constantemente mais horas do que estão disponíveis, pode existir sobrecarga.
Esse indicador ajuda a identificar recursos com alta ocupação e também aqueles que possuem maior disponibilidade.
A análise precisa ser feita em conjunto com outros dados, porque alta utilização não significa necessariamente alta produtividade.
Atraso das Ordens de Produção
Uma OP pode possuir uma data prevista para conclusão.
Quando essa data é ultrapassada e a ordem permanece aberta, ela pode ser identificada como atrasada.
O acompanhamento pode mostrar:
-
número da OP;
-
produto;
-
prazo previsto;
-
quantidade pendente;
-
etapa atual;
-
dias de atraso.
Isso facilita a priorização das atividades.
Uma ordem com grande quantidade pendente e prazo já ultrapassado pode exigir uma ação diferente de outra que possui apenas uma pequena quantidade restante.
Consumo previsto versus consumo real
Outro indicador importante compara quanto material deveria ter sido utilizado com aquilo que realmente foi consumido.
Imagine:
Consumo previsto: 500 kg
Consumo realizado: 535 kg
Diferença: 35 kg
Essa diferença pode estar relacionada a perdas, retrabalho, estrutura de produto desatualizada ou variações no processo.
Se o consumo acima do previsto começa a acontecer repetidamente, a empresa pode investigar quais produtos e operações apresentam as maiores diferenças.
Por que utilizar filtros na análise dos indicadores?
Um indicador geral pode mostrar que existe um problema, mas nem sempre revela onde ele está acontecendo.
Por isso, os dados de um Sistema de Controle de Produção podem ser analisados com diferentes filtros.
Entre eles:
-
produto;
-
período;
-
Ordem de Produção;
-
máquina;
-
setor;
-
família de produtos;
-
processo.
Imagine que o índice geral de perdas seja considerado elevado.
Ao analisar por produto, pode ser identificado que quase toda a perda está concentrada em apenas uma família.
Depois, ao filtrar por processo, percebe-se que a maior parte das ocorrências acontece durante a mesma operação.
Esse detalhamento ajuda a transformar um indicador geral em uma informação mais específica.
O mesmo princípio vale para atrasos, produtividade, consumo e tempos.
Em vez de observar apenas um número consolidado, os filtros permitem investigar onde estão as principais diferenças e quais situações aparecem com maior frequência.
Quais são as principais vantagens de utilizar um Sistema de Controle de Produção?
A utilização de um Sistema de Controle de Produção pode melhorar a forma como a indústria acompanha suas atividades, principalmente quando diferentes informações precisam ser consultadas ao mesmo tempo para entender o andamento da fabricação.
Em vez de analisar separadamente estoque, Ordens de Produção, materiais, apontamentos e capacidade, a empresa passa a trabalhar com registros relacionados. Isso facilita a identificação de atrasos, diferenças de consumo, perdas e necessidades futuras.
As vantagens aparecem principalmente quando os dados registrados durante a operação são utilizados para orientar o planejamento e acompanhar aquilo que está realmente acontecendo na fábrica.
Centralização das informações da produção
Quando os controles ficam distribuídos entre planilhas, documentos impressos e registros individuais, descobrir a situação de uma produção pode exigir várias consultas.
Para verificar determinada Ordem de Produção, por exemplo, alguém pode precisar conferir uma planilha para encontrar a quantidade planejada, outro controle para saber quanto já foi fabricado e um terceiro registro para verificar o estoque dos materiais.
Com as informações centralizadas, essa consulta se torna mais organizada.
É possível reunir dados relacionados a:
-
Ordens de Produção abertas;
-
quantidades planejadas;
-
quantidades realizadas;
-
materiais consumidos;
-
estoques disponíveis;
-
etapas produtivas;
-
perdas;
-
prazos;
-
capacidade dos recursos.
Essa visão reduz a necessidade de reunir manualmente informações mantidas em diferentes lugares.
Maior rastreabilidade das operações
A rastreabilidade permite acompanhar o histórico relacionado à produção.
Isso significa conseguir identificar como determinada fabricação evoluiu e quais movimentações aconteceram ao longo do processo.
O histórico pode relacionar informações sobre:
-
ordens;
-
produtos;
-
matérias-primas;
-
quantidades;
-
etapas;
-
operações;
-
apontamentos;
-
perdas;
-
ocorrências.
Imagine que determinado produto apresente uma quantidade de perda acima do esperado.
Com registros organizados, torna-se possível verificar em quais Ordens de Produção isso aconteceu, qual processo estava sendo executado e quais motivos foram informados.
A rastreabilidade também ajuda na consulta de movimentações anteriores, evitando que a análise dependa apenas da memória das pessoas envolvidas na operação.
Maior precisão no planejamento
Planejar a produção exige informações atualizadas.
Não basta conhecer a quantidade que precisa ser fabricada. Também é necessário verificar materiais disponíveis, Ordens de Produção abertas, capacidade dos recursos e prazos já assumidos.
Imagine que uma nova necessidade de 2.000 unidades seja identificada.
Antes de definir quando produzir, a empresa pode verificar:
-
estoque atual do produto;
-
quantidade de matéria-prima disponível;
-
materiais já reservados;
-
ordens em andamento;
-
horas disponíveis nas máquinas;
-
prioridade das demais produções.
Essas informações ajudam a construir um planejamento mais próximo das condições reais da operação.
Redução da dependência de controles manuais
Planilhas podem ser úteis em determinados cenários, mas começam a apresentar limitações quando a quantidade de produtos, materiais e ordens aumenta.
Um mesmo dado pode acabar sendo registrado várias vezes.
Por exemplo, a quantidade produzida pode ser anotada primeiro na fábrica, depois transferida para uma planilha de produção e posteriormente lançada em outro controle de estoque.
Quanto mais repetições existem, maior é a possibilidade de divergências.
A integração permite que uma informação registrada em determinada etapa seja utilizada nas etapas seguintes.
Um apontamento pode atualizar o saldo da Ordem de Produção, enquanto a conclusão da fabricação pode gerar informações para a entrada do produto acabado em estoque.
Maior controle sobre matérias-primas
Produção e materiais possuem uma relação direta.
Quando uma Ordem de Produção é criada, é necessário saber quais componentes serão utilizados e se existe quantidade suficiente disponível.
O controle pode relacionar:
Necessidade de produção → Estrutura do produto → Materiais necessários → Estoque disponível
Isso facilita a identificação de faltas antes que elas provoquem interrupções.
Também permite acompanhar o consumo.
Se uma produção previa 300 kg de determinado material e utilizou 340 kg, a diferença pode ser identificada e analisada.
Com o tempo, essas comparações ajudam a perceber materiais que frequentemente apresentam consumo acima do esperado.
Identificação de desvios entre planejado e realizado
Uma das vantagens mais relevantes do controle produtivo é conseguir comparar aquilo que deveria acontecer com aquilo que realmente aconteceu.
Essa comparação pode envolver:
-
quantidade planejada e produzida;
-
tempo previsto e realizado;
-
consumo previsto e real;
-
prazo programado e conclusão efetiva;
-
perda esperada e perda registrada.
Imagine uma OP planejada para produzir 1.000 unidades em oito horas.
Ao final foram concluídas 850 unidades em nove horas.
Essa diferença mostra que o resultado ficou abaixo da previsão tanto em quantidade quanto em tempo.
O registro não resolve automaticamente o problema, mas fornece informações para que sua causa possa ser analisada.
Redução de atrasos nas Ordens de Produção
Quando existem muitas ordens abertas simultaneamente, acompanhar os prazos manualmente pode se tornar difícil.
A visualização das datas previstas permite identificar produções que estão próximas do vencimento ou já ultrapassaram o prazo planejado.
Uma análise pode separar:
-
ordens dentro do prazo;
-
ordens próximas ao prazo;
-
ordens atrasadas;
-
quantidade ainda pendente;
-
etapa atual.
Com isso, a programação pode ser reorganizada conforme a urgência.
Uma OP atrasada e com grande quantidade pendente pode receber prioridade, enquanto outra que ainda possui prazo disponível pode ser posicionada posteriormente na sequência produtiva.
Melhor controle de desperdícios e retrabalhos
Perdas representam materiais, tempo e capacidade utilizados sem gerar a quantidade esperada de produtos aprovados.
Por isso, registrar essas ocorrências permite entender onde elas estão concentradas.
O acompanhamento pode mostrar:
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produtos com maior quantidade de refugo;
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operações com mais perdas;
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consumo acima do planejado;
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etapas com maior ocorrência de retrabalho;
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motivos mais frequentes.
Em vez de observar apenas o total perdido, a empresa consegue procurar padrões.
Se determinado produto apresenta continuamente um consumo maior do que o previsto, por exemplo, pode ser necessário revisar sua estrutura ou o próprio processo produtivo.
Melhor acompanhamento da capacidade produtiva
Conhecer a capacidade ajuda a evitar uma programação superior ao que os recursos conseguem executar.
O controle pode mostrar máquinas frequentemente sobrecarregadas e também recursos com disponibilidade.
Imagine dois centros de trabalho.
Centro A:
Capacidade semanal: 40 horas
Programação: 39 horas
Centro B:
Capacidade semanal: 40 horas
Programação: 22 horas
Esses dados demonstram situações diferentes.
Enquanto o primeiro está próximo do limite, o segundo possui maior disponibilidade.
Essa visualização ajuda no planejamento e também na identificação de possíveis gargalos.
Informações mais úteis para tomada de decisão
Os registros realizados diariamente podem alimentar indicadores sobre produção, atrasos, capacidade, materiais e perdas.
Isso permite substituir decisões baseadas apenas em percepção por análises apoiadas em dados da operação.
Se as ordens estão atrasando, é possível investigar onde o atraso está concentrado.
Se o consumo está aumentando, é possível verificar quais materiais apresentam maiores diferenças.
Se as perdas estão crescendo, os registros podem indicar quais produtos ou processos aparecem com maior frequência.
O benefício do sistema, portanto, não está apenas em armazenar informações, mas em tornar esses dados utilizáveis no acompanhamento da fábrica.
Como escolher e implantar um Sistema de Controle de Produção adequado?
A escolha de um sistema deve começar pela compreensão da própria operação.
Antes de avaliar funcionalidades, é importante mapear como a fabricação acontece atualmente e quais dificuldades precisam ser resolvidas.
Uma empresa com poucas etapas e produtos simples pode necessitar de controles diferentes de uma indústria que possui estruturas complexas, várias máquinas e diversas Ordens de Produção simultâneas.
Por isso, o objetivo não deve ser encontrar a maior quantidade possível de recursos, mas identificar aqueles que realmente fazem sentido para o processo produtivo.
Mapear o processo atual antes da escolha
O primeiro passo é entender como as informações circulam atualmente.
Algumas perguntas ajudam nesse mapeamento:
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Como a necessidade de produção é identificada?
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Como as Ordens de Produção são criadas?
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Como as prioridades são definidas?
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Como os materiais são separados?
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Como o consumo é registrado?
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Como a quantidade fabricada é apontada?
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Como as perdas são informadas?
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Como os produtos acabados entram no estoque?
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Como os atrasos são identificados?
Esse levantamento permite visualizar onde existem atividades manuais, informações duplicadas ou dificuldades de acompanhamento.
Identificar quais controles são necessários
Depois de mapear o processo, a empresa pode estabelecer quais recursos realmente precisa.
Entre os controles que podem ser avaliados estão:
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cadastro de produtos;
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estrutura de materiais;
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Ordens de Produção;
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estoque;
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consumo de matéria-prima;
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apontamentos;
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processos;
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capacidade produtiva;
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perdas e refugos;
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indicadores.
Nem todas as empresas precisam começar com o mesmo nível de detalhamento.
O importante é garantir que os recursos escolhidos representem o fluxo real da produção.
Avaliar a facilidade dos registros
Um sistema pode possuir diversos recursos, mas eles precisam ser utilizados corretamente para gerar informações confiáveis.
Se registrar uma produção exigir etapas excessivamente complexas, existe o risco de os apontamentos não serem feitos no momento adequado.
Por isso, é importante analisar a rotina de quem realizará os registros.
Atividades frequentes, como lançar quantidades produzidas, registrar consumo ou atualizar Ordens de Produção, precisam seguir um processo claro.
Quanto mais simples for a rotina operacional, maior tende a ser a consistência das informações.
Verificar a integração entre produção e estoque
Um dos pontos mais importantes é a conexão entre matérias-primas consumidas e produtos acabados gerados.
O fluxo esperado pode seguir:
Matéria-prima → Produção → Consumo → Produto acabado → Estoque
Quando uma Ordem de Produção utiliza determinado material, o consumo precisa refletir essa movimentação.
Da mesma forma, quando a fabricação é concluída, a quantidade aprovada deve alimentar o estoque do produto final.
Essa integração reduz lançamentos repetitivos e ajuda a manter os saldos alinhados com as movimentações produtivas.
Organizar os cadastros antes da implantação
Mesmo uma boa ferramenta pode apresentar resultados incorretos quando os dados utilizados estão desorganizados.
Por isso, a implantação também precisa incluir uma revisão dos cadastros.
É importante verificar:
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códigos dos produtos;
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descrições;
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unidades de medida;
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matérias-primas;
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estruturas dos produtos;
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máquinas;
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centros de trabalho;
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etapas;
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tempos de operação;
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saldos de estoque.
Produtos duplicados ou estruturas desatualizadas, por exemplo, podem prejudicar os cálculos das necessidades de materiais.
Da mesma forma, unidades de medida incorretas podem gerar diferenças importantes no consumo.
Definir como os apontamentos serão realizados
Outro ponto importante é estabelecer um padrão para registrar o que acontece na fábrica.
A empresa deve definir:
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quando o apontamento será realizado;
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quem fará o registro;
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quais informações serão obrigatórias;
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como perdas serão classificadas;
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como paradas serão informadas;
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como retrabalhos serão registrados.
A padronização evita que cada pessoa registre a mesma ocorrência de uma maneira diferente.
Se uma parada por falta de material for cadastrada com vários nomes diferentes, por exemplo, posteriormente será mais difícil consolidar todas as ocorrências para análise.
Implantar os controles de forma gradual
Tentar acompanhar todos os detalhes desde o primeiro momento pode tornar a implantação mais complexa do que o necessário.
Uma alternativa é avançar por etapas.
O processo pode seguir uma sequência como:
Cadastros → Estruturas → Estoque → Ordens de Produção → Apontamento → Perdas → Indicadores
Primeiro, os produtos e materiais precisam estar organizados.
Depois, as estruturas podem ser revisadas.
Com essa base preparada, a empresa pode começar a trabalhar com Ordens de Produção e acompanhar seu andamento.
Na sequência, os apontamentos aumentam o nível de detalhe sobre a execução.
Após existir uma quantidade suficiente de registros confiáveis, perdas, tempos, capacidade e indicadores podem ser analisados com maior precisão.
Essa evolução gradual ajuda a transformar o Sistema de Controle de Produção em parte da rotina operacional, permitindo que os controles sejam aprimorados conforme a empresa passa a utilizar as informações geradas no próprio processo de fabricação.
Conclusão: transformar dados da fábrica em controle da produção
Controlar a produção de maneira eficiente exige muito mais do que registrar produtos fabricados ou abrir Ordens de Produção. O verdadeiro valor de um Sistema de Controle de Produção está na capacidade de conectar as informações geradas em diferentes etapas da operação e transformá-las em uma visão mais clara do que acontece dentro da fábrica.
Ao longo do processo produtivo, diversas informações precisam trabalhar de forma relacionada:
Demanda → Materiais → Planejamento → Ordem de Produção → Execução → Apontamento → Estoque → Indicadores
Essa sequência mostra que cada etapa depende dos dados gerados anteriormente.
A demanda ajuda a definir aquilo que precisa ser produzido. O planejamento organiza quantidades, prioridades e prazos. A estrutura do produto identifica os materiais necessários. As Ordens de Produção formalizam a fabricação. Os apontamentos registram aquilo que realmente aconteceu durante a execução.
Depois disso, os produtos aprovados podem ser direcionados ao estoque, enquanto os dados registrados alimentam indicadores utilizados para acompanhar o desempenho da operação.
Quando essas informações permanecem separadas, a empresa pode ter dificuldade para entender rapidamente a situação da produção.
Por outro lado, quando materiais, ordens, capacidade, apontamentos e resultados estão relacionados, torna-se mais fácil responder perguntas importantes, como:
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O que está sendo produzido neste momento?
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Quais Ordens de Produção estão atrasadas?
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Quanto ainda falta fabricar?
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Existem materiais suficientes para as próximas ordens?
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Quais produtos apresentam mais perdas?
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Onde estão ocorrendo paradas?
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Quais recursos estão sobrecarregados?
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O consumo realizado está de acordo com o previsto?
Essas respostas ajudam a transformar registros operacionais em informações úteis para o acompanhamento da fábrica.
Outro ponto importante é que o controle produtivo permite comparar continuamente aquilo que foi planejado com aquilo que realmente ocorreu.
Uma produção pode começar com determinada quantidade, prazo e consumo previsto, mas durante a execução podem surgir diferenças.
Quando essas diferenças são registradas, a empresa consegue identificar desvios com maior rapidez e buscar suas causas.
Por isso, implementar um sistema não significa apenas substituir planilhas, papéis ou anotações por telas digitais.
Se os mesmos controles continuarem funcionando de maneira isolada, apenas mudar a ferramenta utilizada para registrar os dados não necessariamente melhora a gestão.
O objetivo deve ser criar um fluxo no qual cada movimentação contribua para atualizar as etapas seguintes.
Um apontamento pode atualizar o saldo de uma Ordem de Produção. O consumo pode movimentar a matéria-prima. A conclusão da fabricação pode atualizar o estoque do produto acabado. As perdas registradas podem alimentar indicadores. As informações de capacidade podem ajudar no próximo planejamento.
Dessa forma, o Sistema de Controle de Produção passa a funcionar como uma ferramenta de acompanhamento contínuo da operação.
Com informações organizadas e atualizadas, a indústria consegue visualizar melhor aquilo que está acontecendo, identificar problemas recorrentes, acompanhar seus recursos e planejar as próximas atividades com base nos próprios dados gerados pela produção.
Mais do que digitalizar processos existentes, o objetivo é construir uma rotina em que cada registro tenha utilidade dentro do fluxo produtivo e contribua para tornar o planejamento, a execução e o acompanhamento da fabricação cada vez mais organizados.