Introdução
A rotina de uma indústria envolve diversas informações que precisam ser acompanhadas ao mesmo tempo. Quantidade produzida, tempo gasto em cada etapa, consumo de materiais, perdas, atrasos e andamento das ordens são apenas alguns dos dados que fazem parte do processo produtivo. Quando esses registros ficam espalhados em planilhas, anotações ou documentos separados, entender o que realmente acontece na fábrica pode se tornar mais difícil.
Um dos principais desafios aparece quando a empresa precisa comparar aquilo que foi planejado com o que efetivamente ocorreu durante a fabricação. Uma ordem pode ter sido programada para produzir determinada quantidade em algumas horas, mas apresentar atrasos, perdas de materiais ou produção abaixo do esperado. Sem registros organizados, identificar a origem dessas diferenças exige mais tempo e pode dificultar decisões importantes.
Também é comum que os dados sejam registrados somente depois que a produção termina. Nesse cenário, problemas ocorridos durante o processo podem ser percebidos tarde demais. Uma etapa mais lenta, uma parada inesperada ou um consumo acima do previsto pode afetar as operações seguintes e até comprometer o prazo estabelecido para finalizar uma ordem.
Por isso, acompanhar a produção não significa apenas saber quantas unidades foram fabricadas. É necessário observar diferentes informações para compreender o desempenho de todo o processo.
Entre os principais pontos que precisam ser monitorados estão:
-
quantidade programada para produção;
-
quantidade efetivamente produzida;
-
tempo planejado para cada operação;
-
tempo realmente utilizado;
-
consumo de matéria-prima;
-
perdas e refugos;
-
retrabalhos;
-
paradas durante a fabricação;
-
situação atual das ordens.
A utilização de um Sistema de Controle de Produção permite reunir essas informações em um único ambiente, facilitando a consulta e o acompanhamento das atividades realizadas. Em vez de buscar dados em diferentes registros, a empresa consegue visualizar o andamento das ordens e identificar diferenças entre planejamento e execução.
Imagine, por exemplo, uma indústria que precisa produzir 800 unidades de determinado produto. O planejamento estabelece que a fabricação deverá ser concluída em oito horas. Durante a execução, porém, foram produzidas somente 720 unidades, houve uma hora de parada e 30 peças precisaram ser descartadas.
Quando essas informações são registradas adequadamente, torna-se possível entender que a ordem apresentou uma diferença entre o resultado esperado e o realizado. A partir disso, a empresa pode investigar as causas e verificar se o problema está relacionado a equipamentos, materiais, processos ou outras ocorrências da produção.
Esse acompanhamento também cria um histórico importante. Ao analisar diferentes ordens do mesmo produto, é possível perceber se determinados atrasos ou perdas são acontecimentos isolados ou situações que se repetem com frequência.
Com informações organizadas, o controle deixa de ser baseado somente em percepções e passa a utilizar dados registrados durante a rotina produtiva. Isso contribui para identificar gargalos, acompanhar desperdícios, revisar tempos previstos e melhorar o planejamento das próximas ordens.
O que é um Sistema de Controle de Produção?
Um Sistema de Controle de Produção é uma solução utilizada para organizar e acompanhar informações relacionadas à fabricação de produtos. Seu objetivo é oferecer uma visão mais clara sobre o que precisa ser produzido, o que já foi executado e quais ocorrências aconteceram durante o processo.
Na prática, ele acompanha a ordem desde o planejamento até sua finalização, reunindo informações sobre materiais, etapas, quantidades, tempos e perdas.
Uma ordem de produção pode informar, por exemplo:
-
qual produto será fabricado;
-
quantidade programada;
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materiais necessários;
-
etapas que deverão ser executadas;
-
data prevista para início;
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prazo para finalização;
-
quantidade já produzida;
-
saldo ainda pendente;
-
perdas registradas.
Com esses dados disponíveis, é possível consultar rapidamente a situação de cada ordem.
Se uma empresa possui cinco ordens abertas simultaneamente, o acompanhamento manual pode dificultar a identificação de qual delas já começou, qual está atrasada ou qual ainda depende de materiais. Ao centralizar os registros, essas informações ficam mais acessíveis para acompanhamento.
Controle das ordens de produção
As ordens funcionam como registros que orientam a execução da fabricação. Elas ajudam a definir o que será produzido e permitem acompanhar seu avanço ao longo das etapas.
Durante o processo, uma ordem pode apresentar diferentes situações, como aguardando produção, em andamento, parcialmente produzida ou finalizada.
Esse acompanhamento é especialmente importante quando uma fabricação possui diversas etapas. Um produto pode passar por corte, montagem, acabamento, inspeção e embalagem antes de ser considerado concluído.
Ao registrar o avanço de cada operação, fica mais fácil saber em qual ponto o produto se encontra.
Produtos e matérias-primas
Outro ponto importante é a relação entre os produtos fabricados e os materiais utilizados.
Antes de iniciar uma ordem, é necessário conhecer os componentes ou matérias-primas necessários para produzir a quantidade planejada. Dependendo da operação, a falta de apenas um item pode impedir o início ou a continuidade da fabricação.
O controle organizado permite consultar quais materiais estão relacionados ao produto e acompanhar o consumo realizado durante a produção.
Essa informação também ajuda a identificar diferenças. Se determinada ordem deveria consumir 100 quilos de matéria-prima, mas utilizou 115 quilos, existe uma diferença que precisa ser analisada.
Etapas produtivas
Nem todo produto é fabricado em uma única operação. Por isso, registrar as etapas permite acompanhar melhor o fluxo da produção.
Cada fase pode possuir seu próprio tempo, quantidade produzida e ocorrências.
Por exemplo:
Corte → Montagem → Acabamento → Conferência → Produto final
Se o corte for concluído normalmente, mas a montagem acumular ordens e demorar mais que o previsto, essa etapa poderá ser identificada como um possível gargalo.
Dessa forma, o acompanhamento não mostra apenas se uma ordem está atrasada, mas ajuda a localizar onde o atraso começou.
Quantidades planejadas e realizadas
Comparar o planejado com o realizado é fundamental para compreender o desempenho da produção.
Uma ordem pode prever 1.000 unidades, enquanto o apontamento registra apenas 900 peças concluídas. Nesse caso, ainda existem 100 unidades pendentes.
Esse controle também pode separar:
-
quantidade produzida;
-
quantidade aprovada;
-
quantidade perdida;
-
quantidade enviada para retrabalho.
Essa separação evita considerar como produto final itens que ainda precisam de ajustes ou que foram descartados.
Tempos de produção
O tempo é outro indicador importante para avaliar o processo.
Cada etapa pode possuir uma duração planejada e uma duração real. Quando existe uma diferença significativa entre essas informações, a empresa pode investigar o motivo.
Uma operação prevista para durar duas horas, por exemplo, pode ter levado três horas e meia devido a uma parada de equipamento ou dificuldade durante a execução.
Registrar essas ocorrências ajuda a tornar os próximos planejamentos mais próximos da realidade.
Perdas e refugos
As perdas também precisam ser registradas para que não fiquem escondidas dentro dos números gerais da produção.
Podem existir perdas de matéria-prima, produtos com defeito, peças descartadas ou unidades que precisam passar por retrabalho.
Ao utilizar um Sistema de Controle de Produção, esses registros podem ser associados às próprias ordens, permitindo analisar quais produtos ou etapas apresentam maior frequência de ocorrências.
Assim, a empresa passa a acompanhar não apenas quanto produz, mas também quanto deixa de aproveitar durante o processo.
Situação das ordens
Saber quais ordens estão abertas, em execução ou finalizadas ajuda a organizar a rotina produtiva e definir prioridades.
Uma visão atualizada permite identificar rapidamente:
-
ordens ainda não iniciadas;
-
produções em andamento;
-
quantidades pendentes;
-
operações atrasadas;
-
ordens concluídas;
-
ocorrências que precisam ser verificadas.
Com esse acompanhamento, diferentes informações deixam de ficar isoladas. Tempo, quantidade, materiais e perdas passam a fazer parte do mesmo controle, proporcionando uma visão mais completa daquilo que acontece durante a fabricação.
Por que acompanhar tempo, quantidade e perdas na produção?
Acompanhar o desempenho da fabricação exige mais do que verificar se uma ordem foi concluída. É importante entender quanto tempo foi utilizado, quantas unidades realmente foram produzidas e quais perdas ocorreram durante o processo. Esses três indicadores ajudam a mostrar se a execução está próxima do planejamento ou se existem desvios que precisam ser analisados.
Quando essas informações são registradas de maneira organizada, a empresa consegue identificar problemas antes que eles se acumulem e afetem prazos, consumo de materiais e custos da produção.
Um Sistema de Controle de Produção pode reunir esses dados em cada ordem, permitindo comparar o que estava previsto com aquilo que realmente aconteceu no chão de fábrica.
Imagine uma ordem programada para fabricar 500 unidades em cinco horas. Ao final do processo, foram produzidas 430 unidades em sete horas e outras 20 unidades precisaram ser descartadas.
Nesse exemplo, existem diferentes pontos para analisar:
-
foram produzidas 70 unidades a menos que o planejado;
-
o processo levou duas horas além do previsto;
-
houve descarte de 20 unidades;
-
ainda existe uma quantidade que precisa ser produzida para completar a ordem.
Se a empresa analisar apenas a quantidade final, poderá deixar de perceber que o tempo utilizado também ficou acima do planejamento. Da mesma forma, observar somente as horas trabalhadas não mostra que houve perdas durante a fabricação.
Por isso, os indicadores precisam ser analisados em conjunto.
O que o tempo de produção pode revelar?
O acompanhamento do tempo mostra quanto cada operação está levando para ser realizada.
Quando uma etapa apresenta duração maior do que o esperado, é possível verificar se houve:
-
paradas de máquinas;
-
espera por materiais;
-
preparação acima do previsto;
-
ajustes durante a operação;
-
retrabalho;
-
alteração na programação;
-
dificuldades em alguma etapa produtiva.
Se determinada atividade deveria levar uma hora, mas frequentemente necessita de duas horas, existe um desvio que precisa ser investigado.
O que a quantidade produzida mostra?
A quantidade indica quanto da ordem já foi realizado e quanto ainda está pendente.
Comparar o volume planejado com o produzido ajuda a entender se a fábrica está conseguindo cumprir aquilo que foi programado.
Por exemplo, uma ordem de 800 unidades com apenas 600 concluídas apresenta um saldo de 200 unidades.
Essa diferença pode estar relacionada ao tempo disponível, às paradas, à falta de materiais ou a outros problemas ocorridos durante a fabricação.
Por que registrar as perdas?
As perdas representam materiais ou produtos que foram utilizados no processo, mas não resultaram em unidades aprovadas.
Registrar essas ocorrências é importante porque uma produção aparentemente satisfatória pode esconder desperdícios.
Uma ordem pode ter fabricado as 1.000 unidades previstas, mas ter consumido material suficiente para produzir 1.100 unidades. Nesse caso, existe uma diferença que precisa ser compreendida.
O registro das perdas também permite identificar se determinados produtos, materiais ou etapas apresentam problemas com maior frequência.
Com informações históricas, torna-se mais fácil perceber padrões e definir ações para reduzir ocorrências semelhantes.
Como controlar o tempo de cada etapa da produção?
O controle do tempo permite acompanhar quanto cada operação realmente demora e comparar esse resultado com o planejamento.
Para isso, é importante registrar o início e o término das atividades, além das interrupções que acontecerem durante o processo.
Esse acompanhamento pode ser realizado por ordem de produção, operação, produto ou etapa produtiva.
Início da operação
O horário de início indica quando determinada atividade começou efetivamente.
Esse registro é importante para diferenciar o horário programado do momento em que a produção realmente foi iniciada.
Se uma operação estava prevista para começar às oito horas, mas iniciou às nove, já existe uma diferença que poderá afetar as etapas seguintes.
Final da operação
O término mostra quando a atividade foi concluída.
Ao combinar horário inicial e final, torna-se possível calcular quanto tempo foi utilizado durante a execução.
Entretanto, esse período precisa ser analisado juntamente com possíveis paradas para que o resultado seja mais preciso.
Tempo planejado e tempo realizado
O tempo planejado corresponde à duração estimada para executar determinada atividade.
O tempo realizado mostra quanto foi necessário na prática.
Por exemplo:
Uma operação estava planejada para três horas.
O registro mostrou que foram necessárias quatro horas.
Existe, portanto, uma diferença de uma hora entre planejamento e realização.
Com um Sistema de Controle de Produção, essas informações podem ser registradas e comparadas ao longo de diversas ordens, ajudando a identificar etapas que constantemente ultrapassam o tempo previsto.
Tempo de parada
Nem todo período entre o início e o final representa produção efetiva.
Durante a operação podem ocorrer interrupções por diferentes motivos, como:
-
ajuste de equipamento;
-
espera por material;
-
manutenção;
-
troca de ferramenta;
-
problema de qualidade;
-
reorganização da programação.
Registrar o motivo e a duração das paradas ajuda a entender por que uma atividade demorou mais que o previsto.
Tempo de preparação
Antes de iniciar a fabricação, algumas operações exigem preparação de máquinas, ferramentas ou materiais.
Esse tempo também precisa ser acompanhado.
Quando a preparação demora mais do que o esperado, pode reduzir o período disponível para produção e provocar atrasos ao longo do processo.
Como comparar o previsto com o realizado?
A comparação pode ser feita de forma simples.
Se determinada etapa tinha duração prevista de duas horas e terminou em duas horas e quarenta minutos, houve um acréscimo de quarenta minutos.
Caso essa diferença aconteça repetidamente, pode ser necessário revisar o tempo planejado ou investigar as causas.
O objetivo não é apenas registrar horas, mas transformar esses dados em informações úteis para tornar o planejamento mais próximo da realidade da fábrica.
Como acompanhar a quantidade planejada e produzida?
Além do tempo, acompanhar as quantidades permite saber quanto de cada ordem já foi executado e quanto ainda precisa ser fabricado.
Esse controle evita que uma ordem seja considerada concluída antes de atingir o volume necessário.
Quantidade programada
A quantidade programada representa o total definido inicialmente para a ordem de produção.
Por exemplo, se existe uma necessidade de fabricar 1.000 peças, esse valor será a referência utilizada durante o acompanhamento.
A partir dele, será possível comparar o avanço da fabricação.
Quantidade produzida
A quantidade produzida corresponde ao total efetivamente fabricado até determinado momento.
Uma ordem não precisa ser registrada somente quando estiver concluída. Os apontamentos podem ser feitos de maneira parcial conforme a produção avança.
Se uma ordem de 1.000 peças possui 750 unidades produzidas, ainda existem 250 peças pendentes.
Essa informação permite visualizar rapidamente o avanço do processo.
Quantidade aprovada
Nem tudo que é produzido necessariamente poderá ser considerado produto final.
Por isso, é importante diferenciar a quantidade fabricada da quantidade aprovada.
Uma ordem pode registrar:
-
500 unidades produzidas;
-
480 unidades aprovadas;
-
10 unidades destinadas ao retrabalho;
-
10 unidades descartadas.
Essa separação oferece uma visão mais precisa do resultado da fabricação.
Produção parcial
A produção parcial acontece quando apenas uma parte da quantidade prevista foi concluída.
Esse controle é útil principalmente em ordens maiores ou que precisam passar por várias etapas.
Os apontamentos parciais mostram a evolução sem necessidade de aguardar o encerramento completo da ordem.
Por exemplo:
Quantidade programada: 2.000 unidades.
Primeiro apontamento: 600 unidades.
Segundo apontamento: 700 unidades.
Terceiro apontamento: 400 unidades.
Total produzido até o momento: 1.700 unidades.
Saldo restante: 300 unidades.
Quantidade pendente e saldo da ordem
O saldo representa quanto ainda precisa ser produzido para completar a quantidade programada.
Esse cálculo ajuda a visualizar prioridades e acompanhar ordens que ainda estão abertas.
Se foram planejadas 1.000 unidades e 750 já foram concluídas, o saldo será de 250 unidades.
Entretanto, também é necessário considerar perdas e itens que ainda dependem de aprovação.
Por isso, acompanhar somente o volume bruto produzido pode gerar uma visão incorreta do andamento.
Ao controlar quantidade programada, produzida, aprovada, perdida e pendente separadamente, a empresa consegue entender com maior precisão o estágio de cada ordem e identificar rapidamente quando a fabricação está abaixo do esperado.
Como registrar perdas, refugos e retrabalhos?
Nem toda matéria-prima utilizada durante a fabricação se transforma em produto acabado. Durante o processo podem ocorrer desperdícios, defeitos, refugos, retrabalhos e perdas relacionadas à preparação das máquinas ou a erros durante a operação.
Registrar essas ocorrências separadamente ajuda a empresa a entender onde os recursos estão sendo consumidos e quais problemas aparecem com maior frequência.
Quando todas as perdas são registradas simplesmente como “desperdício”, torna-se difícil identificar a verdadeira origem do problema. Por isso, o ideal é classificar cada ocorrência de acordo com aquilo que realmente aconteceu.
Um Sistema de Controle de Produção pode associar esses registros às respectivas ordens, produtos e etapas, criando um histórico que facilita análises posteriores.
Por exemplo, uma ordem foi aberta para fabricar 1.000 unidades. Durante a execução, foram utilizados materiais suficientes para 1.080 unidades. Ao final, o resultado foi:
-
1.000 unidades aprovadas;
-
20 unidades destinadas ao retrabalho;
-
30 unidades descartadas;
-
material equivalente a 30 unidades perdido durante a regulagem.
Sem separar essas informações, a empresa saberia apenas que houve um consumo acima do previsto. Com registros detalhados, consegue identificar de onde surgiu a diferença.
Matéria-prima desperdiçada
O desperdício de matéria-prima ocorre quando determinado material é consumido sem gerar um produto aproveitável.
Isso pode acontecer por diferentes motivos, como:
-
corte incorreto;
-
sobra não reaproveitável;
-
dosagem acima do necessário;
-
material danificado;
-
erro durante a preparação;
-
descarte durante o processo.
Imagine que uma ordem deveria utilizar 500 quilos de matéria-prima, mas o consumo final chegou a 535 quilos. Registrar os 35 quilos adicionais e o motivo da diferença ajuda a identificar se o consumo está dentro de uma margem esperada ou se existe algum problema recorrente.
Produto com defeito
Um produto com defeito não significa necessariamente que será descartado.
Dependendo do problema, ele pode ser corrigido e voltar para o fluxo produtivo.
Por isso, é importante registrar:
-
quantidade com defeito;
-
tipo de problema;
-
etapa em que o defeito foi identificado;
-
possibilidade de correção;
-
destino dado ao produto.
Essas informações ajudam a descobrir em quais pontos da produção aparecem mais falhas.
Se determinada etapa apresenta grande quantidade de produtos com o mesmo defeito, por exemplo, ela pode precisar de uma análise mais detalhada.
Refugo
Refugo é o produto, peça ou material que não pode ser recuperado ou utilizado conforme o padrão definido.
Nesse caso, a unidade precisa ser descartada ou receber outra destinação.
Uma ordem de 500 peças pode registrar 490 unidades aprovadas e 10 refugadas. Isso representa uma diferença entre aquilo que foi produzido e aquilo que realmente poderá seguir para estoque ou para as próximas etapas.
Controlar o refugo é importante porque ele influencia diretamente o aproveitamento dos materiais utilizados.
Retrabalho
O retrabalho acontece quando um produto precisa passar novamente por uma operação ou receber alguma correção antes de ser aprovado.
Por exemplo, uma peça pode precisar voltar para uma etapa de acabamento porque apresentou uma falha na primeira execução.
Nesse caso, o produto não foi totalmente perdido, mas consumirá novamente:
-
tempo;
-
máquina;
-
materiais;
-
capacidade produtiva.
Registrar o retrabalho permite entender quanto do esforço produtivo está sendo utilizado para corrigir produtos em vez de fabricar novas unidades.
Perdas durante regulagens
Alguns processos exigem regulagem ou preparação antes que a produção principal comece.
Durante esse período, pode existir consumo de materiais até que o equipamento esteja ajustado corretamente.
Essas perdas precisam ser separadas das ocorrências que surgem durante a fabricação normal.
Por exemplo, uma máquina pode exigir cinco peças de teste antes de atingir a configuração adequada para começar uma ordem.
Ao registrar essa quantidade como perda de regulagem, a empresa consegue avaliar se o comportamento está dentro do esperado ou se o processo de preparação está consumindo materiais em excesso.
Perdas por erro operacional
Também podem ocorrer perdas causadas por falhas durante a execução.
Alguns exemplos incluem:
-
medida incorreta;
-
operação realizada fora da sequência;
-
configuração inadequada;
-
material utilizado de forma incorreta;
-
quantidade processada acima da necessidade.
Essas ocorrências devem ser registradas de maneira objetiva, permitindo posteriormente identificar sua frequência.
O objetivo do registro é criar informações que possam ser analisadas e utilizadas para melhorar o processo.
Por que registrar o motivo da perda?
Registrar somente a quantidade perdida não mostra por que o problema aconteceu.
Por isso, cada ocorrência deve possuir um motivo associado.
Uma empresa pode criar categorias como:
-
defeito no material;
-
regulagem;
-
falha de equipamento;
-
erro operacional;
-
problema de qualidade;
-
retrabalho;
-
desperdício no processo.
Com o passar do tempo, esses dados permitem identificar quais motivos representam maior impacto na fabricação.
Se a maioria das perdas estiver relacionada à regulagem, por exemplo, essa etapa pode receber atenção especial.
O que é apontamento de produção?
O apontamento de produção é o registro das informações sobre aquilo que realmente aconteceu durante a execução de uma ordem.
Enquanto o planejamento define o que deveria ser produzido, o apontamento mostra o resultado obtido na prática.
Por meio dele, é possível saber quanto foi fabricado, quanto tempo foi utilizado, quais perdas aconteceram e em qual estágio determinada ordem se encontra.
Esses registros criam uma visão mais próxima da realidade do chão de fábrica.
Ordem de produção
Todo apontamento deve estar relacionado à ordem correspondente.
Isso permite identificar exatamente qual fabricação originou aquele registro.
Se existem várias ordens do mesmo produto abertas, associar corretamente os apontamentos evita misturar quantidades e tempos.
Por exemplo:
Ordem 1501: 500 unidades.
Ordem 1502: 800 unidades.
Mesmo que ambas fabriquem o mesmo produto, cada uma precisa possuir seus próprios registros.
Produto e etapa produtiva
Também é importante informar qual produto está sendo fabricado e em qual etapa ocorreu o apontamento.
Um produto pode passar por diversas operações antes de ser concluído.
Por exemplo:
Corte → Montagem → Acabamento → Conferência.
Ao registrar os dados por etapa, fica mais fácil localizar onde ocorreram atrasos, perdas ou diferenças de quantidade.
Data e horário
A data e o horário ajudam a identificar quando determinada atividade aconteceu.
Podem ser registrados:
-
início da operação;
-
término;
-
horário da parada;
-
retorno da atividade.
Esses dados permitem calcular o tempo utilizado e comparar o resultado com aquilo que havia sido planejado.
Se uma operação prevista para começar às 8h iniciou às 9h30, existe um atraso de uma hora e meia que poderá influenciar as etapas seguintes.
Quantidade produzida
O apontamento também registra quanto foi produzido em determinado período.
Não é necessário esperar a ordem inteira terminar.
Uma produção de 1.000 unidades pode possuir vários registros:
Primeiro apontamento: 300 unidades.
Segundo apontamento: 400 unidades.
Terceiro apontamento: 200 unidades.
Nesse momento, 900 unidades foram registradas e outras 100 continuam pendentes.
Com um Sistema de Controle de Produção, esses apontamentos ajudam a atualizar o andamento da ordem conforme as atividades são realizadas.
Registro das perdas
Quando perdas acontecem durante a execução, elas também devem fazer parte do apontamento.
Isso permite relacionar cada ocorrência ao momento e à etapa onde aconteceu.
Por exemplo:
Produzidas: 250 unidades.
Aprovadas: 240 unidades.
Refugo: 6 unidades.
Retrabalho: 4 unidades.
Essa divisão oferece uma visão mais precisa do resultado obtido.
Máquina ou equipamento utilizado
Quando a produção depende de máquinas, registrar qual equipamento foi utilizado pode ajudar na análise dos resultados.
Se determinado equipamento apresenta frequentemente tempos maiores ou maior quantidade de perdas, os registros históricos podem revelar esse padrão.
Isso também facilita a comparação entre diferentes execuções de uma mesma operação.
Motivos das paradas
As interrupções também precisam ser registradas quando afetam o tempo produtivo.
O apontamento pode indicar situações como:
-
falta de matéria-prima;
-
ajuste de equipamento;
-
manutenção;
-
troca de ferramenta;
-
espera entre operações;
-
problema de qualidade.
Imagine uma atividade programada para durar quatro horas, mas concluída em seis. Ao analisar somente início e término, existem duas horas adicionais sem explicação.
Se o apontamento mostrar uma parada de uma hora e meia por ajuste de máquina, torna-se muito mais fácil compreender por que o tempo realizado ultrapassou o previsto.
Dessa forma, os apontamentos transformam acontecimentos do dia a dia da fábrica em dados organizados, permitindo acompanhar quantidades, tempos, perdas, equipamentos e ocorrências diretamente nas ordens de produção.
Planejado x realizado: como identificar desvios?
Comparar o planejamento com aquilo que realmente aconteceu durante a fabricação é uma das formas mais importantes de avaliar o desempenho produtivo. Essa análise permite identificar diferenças de tempo, quantidade, consumo de materiais, perdas e prazos antes que os problemas se tornem recorrentes.
O planejamento estabelece uma referência para a execução. Nele, a empresa define quanto pretende produzir, quais materiais serão necessários, quanto tempo cada etapa deverá levar e quando a ordem precisa ser finalizada.
Já o realizado mostra o resultado obtido no chão de fábrica.
Quando essas duas informações são comparadas, é possível identificar os desvios.
Por exemplo, uma ordem pode ter sido planejada da seguinte maneira:
-
quantidade prevista: 1.000 unidades;
-
tempo previsto: 8 horas;
-
consumo previsto: 500 kg de matéria-prima;
-
perdas previstas: 20 unidades;
-
conclusão prevista: dia 15.
Depois da execução, os registros podem mostrar:
-
quantidade produzida: 920 unidades;
-
tempo realizado: 10 horas;
-
consumo realizado: 540 kg;
-
perdas registradas: 35 unidades;
-
conclusão real: dia 16.
Nesse cenário, diversos resultados ficaram diferentes do planejado. Analisar cada indicador separadamente ajuda a entender onde os desvios ocorreram e quais pontos precisam ser investigados.
Um Sistema de Controle de Produção facilita essa comparação ao reunir informações planejadas e realizadas na própria ordem, evitando que os dados fiquem espalhados em diferentes controles.
Tempo previsto x tempo utilizado
O primeiro indicador que pode ser comparado é o tempo necessário para executar a produção.
O tempo previsto representa quanto a empresa estimou que determinada atividade deveria durar. Já o tempo realizado corresponde ao período efetivamente utilizado.
Imagine uma operação planejada para quatro horas que levou cinco horas e trinta minutos para ser concluída.
A diferença foi de uma hora e meia.
Somente identificar essa diferença, porém, não é suficiente. Também é importante verificar o que aconteceu durante o processo.
O aumento pode estar relacionado a:
-
parada de equipamento;
-
preparação mais demorada;
-
falta de matéria-prima;
-
espera entre etapas;
-
retrabalho;
-
ajustes durante a fabricação;
-
alteração da programação.
Quando o tempo realizado fica acima do previsto em praticamente todas as ordens semelhantes, pode existir um problema no processo ou o próprio tempo utilizado no planejamento pode estar desatualizado.
Por outro lado, se determinada etapa constantemente termina antes do prazo planejado, também pode ser necessário revisar a estimativa utilizada.
Quantidade planejada x quantidade produzida
Outra comparação importante envolve a quantidade.
A ordem determina quanto deverá ser fabricado e os apontamentos mostram quanto realmente foi produzido.
Uma ordem programada para 2.000 peças, por exemplo, pode terminar o período com 1.700 unidades concluídas.
Nesse caso, existem 300 peças que ainda precisam ser produzidas.
A diferença pode ocorrer por diversos motivos:
-
produção abaixo do ritmo esperado;
-
interrupções;
-
perdas;
-
falta de materiais;
-
atraso em uma etapa anterior;
-
necessidade de retrabalho.
Também é importante diferenciar quantidade produzida de quantidade aprovada.
Imagine que uma ordem registre 1.000 unidades fabricadas, mas apenas 950 sejam aprovadas. Outras 30 precisam de retrabalho e 20 foram refugadas.
Mesmo que o total bruto tenha atingido a quantidade planejada, ainda não existem 1.000 unidades prontas e aprovadas.
Essa separação evita interpretar o resultado da produção de maneira incorreta.
Consumo previsto x consumo realizado
O planejamento também pode determinar quanto de matéria-prima será necessário para produzir uma ordem.
Durante a execução, o consumo real deve ser registrado para permitir a comparação.
Por exemplo:
Consumo previsto: 600 kg.
Consumo realizado: 645 kg.
Diferença: 45 kg acima do planejado.
Essa diferença pode estar ligada a desperdícios, regulagens, refugos, erros durante a fabricação ou até mesmo a uma previsão de consumo que não corresponde mais à realidade.
Caso o consumo acima do esperado se repita em várias ordens do mesmo produto, vale analisar a ficha técnica, os processos executados e os registros das perdas.
Também pode acontecer o contrário. O consumo realizado pode ficar abaixo do previsto, indicando a necessidade de verificar se o cadastro utilizado no planejamento está adequado.
Perdas esperadas x perdas registradas
Dependendo do processo produtivo, determinadas perdas podem ser previstas durante a fabricação.
O importante é saber quanto foi considerado no planejamento e quanto realmente aconteceu.
Imagine uma ordem com previsão de perda de 2% da matéria-prima, mas que apresente 5% durante a execução.
Essa diferença precisa ser observada.
O registro deve permitir identificar não apenas a quantidade perdida, mas também os motivos.
Entre eles podem aparecer:
-
refugo;
-
defeito no produto;
-
perda durante regulagem;
-
desperdício de matéria-prima;
-
erro na operação;
-
retrabalho.
Se uma ocorrência aparece repetidamente, ela deixa de ser apenas um caso isolado e passa a indicar um ponto do processo que merece maior atenção.
Por isso, registrar o motivo das perdas é tão importante quanto registrar sua quantidade.
Prazo previsto x prazo real
Além de horas e quantidades, o cumprimento dos prazos também precisa fazer parte da comparação.
Uma ordem pode ter previsão de início e término. Quando sua conclusão ultrapassa a data programada, deve ser possível identificar o atraso e verificar as causas.
Por exemplo:
Início previsto: dia 10.
Conclusão prevista: dia 12.
Conclusão real: dia 14.
Nesse cenário, a ordem terminou dois dias depois do programado.
O atraso pode ter começado em uma única etapa e afetado todo o restante do fluxo.
Uma matéria-prima que chegou depois do esperado pode atrasar o início. Uma operação que levou mais tempo pode provocar fila nas etapas seguintes. Uma quantidade elevada de retrabalho também pode utilizar capacidade que estava prevista para outras ordens.
Por isso, analisar somente a data final não mostra toda a situação. É necessário consultar os registros de execução para localizar onde o atraso começou.
Como identificar desvios que se repetem?
Um desvio isolado nem sempre representa um problema permanente. Imprevistos podem acontecer durante qualquer processo produtivo.
O sinal de atenção aparece quando a mesma diferença começa a ocorrer repetidamente.
Alguns exemplos são:
-
determinada máquina frequentemente ultrapassa o tempo previsto;
-
um produto apresenta perdas acima do esperado em várias ordens;
-
determinada etapa acumula atrasos;
-
o consumo de uma matéria-prima permanece acima da previsão;
-
várias ordens terminam depois do prazo programado;
-
a quantidade produzida fica constantemente abaixo da meta.
O histórico das ordens ajuda a diferenciar acontecimentos pontuais de padrões recorrentes.
Se dez ordens semelhantes foram planejadas para utilizar cinco horas e nove delas precisaram de aproximadamente sete horas, existe uma forte indicação de que o processo ou o planejamento precisa ser analisado.
Quando revisar o planejamento?
O planejamento não deve ser tratado como uma informação fixa quando os registros da produção mostram uma realidade diferente.
Se os dados realizados apresentam desvios frequentes, pode ser necessário revisar:
-
tempos padrões;
-
quantidade programada por período;
-
consumo previsto de materiais;
-
capacidade das máquinas;
-
sequência das operações;
-
margens de perda;
-
prazos definidos para as ordens.
A utilização de um Sistema de Controle de Produção ajuda a manter o histórico dessas diferenças e permite consultar o comportamento das ordens anteriores antes de realizar novos planejamentos.
Dessa maneira, as estimativas podem ser ajustadas com base no que realmente acontece durante a fabricação, tornando a programação mais coerente com a capacidade e com o desempenho observado no chão de fábrica.
Principais controles de um Sistema de Controle de Produção
Para acompanhar a fabricação com mais precisão, é importante observar diferentes informações ao longo das ordens. Tempo, quantidade, perdas, retrabalho, consumo de materiais e prazos ajudam a mostrar se a execução está seguindo aquilo que foi planejado.
Um Sistema de Controle de Produção permite reunir esses dados e comparar os resultados obtidos em cada etapa. Dessa forma, a empresa consegue perceber com mais facilidade quando existem diferenças entre o previsto e o realizado.
A tabela abaixo apresenta alguns dos principais controles que podem ser acompanhados durante a produção:
| Controle | O que acompanhar | Exemplo |
|---|---|---|
| Tempo de produção | Horas planejadas e realizadas | 5h previstas / 6h realizadas |
| Quantidade planejada | Total previsto para a ordem | 1.000 unidades |
| Quantidade produzida | Total efetivamente fabricado | 930 unidades |
| Perdas | Produtos ou materiais descartados | 25 unidades |
| Retrabalho | Itens que precisam de correção | 15 peças |
| Paradas | Tempo sem produção | 40 minutos |
| Consumo de materiais | Quantidade prevista e realizada | 500 kg / 530 kg |
| Prazo da ordem | Data prevista e data de conclusão | Prevista dia 10 / concluída dia 11 |
Tempo de produção
O controle do tempo ajuda a identificar se uma operação está demorando mais do que o esperado. No exemplo da tabela, a produção estava prevista para durar cinco horas, mas precisou de seis.
Essa diferença pode estar relacionada a paradas, preparação de máquina, espera por materiais ou dificuldades durante a execução.
Quantidade planejada e produzida
Comparar essas duas informações permite visualizar rapidamente quanto da ordem foi concluído.
Se foram programadas 1.000 unidades e somente 930 foram produzidas, ainda existem 70 unidades pendentes.
Também é importante verificar se todas as unidades produzidas foram aprovadas ou se parte delas precisará passar por retrabalho ou descarte.
Perdas e retrabalho
As perdas representam materiais ou produtos que não poderão ser aproveitados conforme o planejado.
Já o retrabalho ocorre quando uma peça pode ser recuperada, mas precisa passar novamente por alguma operação.
Separar essas ocorrências ajuda a entender se o problema está relacionado a desperdício definitivo ou a atividades adicionais necessárias para corrigir o produto.
Paradas durante a produção
Registrar as paradas permite identificar períodos em que uma máquina ou etapa ficou sem produzir.
Além da duração, é importante informar o motivo da interrupção.
Se uma ordem teve 40 minutos de parada, por exemplo, essa informação ajuda a explicar por que o tempo final ficou acima do planejado.
Consumo de materiais
O consumo deve ser comparado com aquilo que estava previsto para a ordem.
Se o planejamento indicava 500 kg e foram utilizados 530 kg, existe uma diferença de 30 kg que precisa ser analisada.
Essa variação pode estar relacionada a perdas, regulagens, refugos ou consumo acima do padrão.
Prazo da ordem
Também é importante acompanhar se a produção foi concluída dentro da data prevista.
Uma ordem programada para terminar no dia 10, mas finalizada no dia 11, apresentou um atraso de um dia.
Ao consultar os demais registros, como paradas, tempos e quantidades, torna-se mais fácil identificar o que provocou essa diferença.
Quando esses controles são analisados em conjunto, a empresa consegue ter uma visão mais completa sobre o andamento da fabricação e identificar com maior rapidez os pontos que estão afetando o desempenho das ordens.
Como identificar gargalos e atrasos na produção?
Gargalos são pontos do processo produtivo que limitam o ritmo da fabricação. Eles acontecem quando determinada máquina, etapa ou operação não consegue acompanhar a velocidade das demais atividades, provocando filas, esperas e atrasos.
Nem sempre um gargalo é fácil de perceber apenas observando o chão de fábrica. Por isso, os registros de produção são importantes para identificar onde o fluxo começa a perder desempenho.
Um Sistema de Controle de Produção pode reunir informações sobre tempos, quantidades, paradas e andamento das ordens, permitindo comparar diferentes etapas e localizar aquelas que estão apresentando resultados abaixo do esperado.
Imagine uma produção dividida em quatro operações:
Corte → Montagem → Acabamento → Embalagem
Se o corte consegue processar 500 peças por dia, mas a montagem consegue trabalhar apenas 350, parte das peças começará a se acumular antes dessa etapa. Nesse caso, a montagem pode estar funcionando como um gargalo.
Máquinas sobrecarregadas
Uma máquina pode se tornar um ponto crítico quando recebe mais ordens do que consegue processar dentro do período disponível.
Alguns sinais ajudam a identificar essa situação:
-
muitas ordens aguardando o mesmo equipamento;
-
atrasos frequentes nas operações;
-
aumento do tempo de espera;
-
utilização constante da capacidade disponível;
-
dificuldade para encaixar novas ordens.
Por exemplo, três produtos diferentes podem depender da mesma máquina. Se todos forem programados para períodos muito próximos, o equipamento poderá não conseguir atender às necessidades dentro dos prazos estabelecidos.
O histórico das ordens ajuda a verificar se esse problema acontece somente em momentos específicos ou se é recorrente.
Etapas mais lentas
Nem sempre o problema está diretamente relacionado a uma máquina.
Uma etapa inteira pode apresentar duração maior do que o previsto.
Se o planejamento determina que a montagem de determinado produto deve levar duas horas, mas os registros mostram uma média de três horas e meia, existe uma diferença significativa.
Nesse caso, é importante analisar:
-
tempo planejado;
-
tempo realizado;
-
quantidade produzida;
-
ocorrências registradas;
-
paradas;
-
retrabalhos.
Quando a mesma etapa apresenta atrasos em várias ordens, pode ser necessário revisar sua capacidade ou o tempo utilizado no planejamento.
Falta de materiais
Uma produção também pode ficar parada mesmo quando máquinas e operações estão disponíveis.
Isso acontece quando a matéria-prima ou algum componente necessário não está disponível no momento previsto.
Uma ordem pode estar pronta para começar, mas ficar aguardando um item específico.
Esse tipo de ocorrência deve ser registrado porque afeta diretamente o prazo de produção.
Ao analisar os atrasos, é importante verificar:
-
materiais em falta;
-
quantidade necessária;
-
quantidade disponível;
-
pedidos de compra pendentes;
-
momento em que a falta foi identificada.
Se a falta de materiais aparece frequentemente como motivo de parada, o problema pode estar relacionado à programação, ao controle de estoque ou ao planejamento das necessidades de compra.
Excesso de filas entre operações
Filas entre etapas são um sinal importante de desequilíbrio no processo produtivo.
Imagine que uma operação consiga finalizar 100 unidades por hora, enquanto a etapa seguinte processa somente 60.
A diferença começa a gerar acúmulo.
Depois de algumas horas, dezenas ou até centenas de unidades podem ficar aguardando a próxima etapa.
Esse cenário pode provocar:
-
aumento do tempo total da ordem;
-
ocupação desnecessária de espaço;
-
atraso das etapas seguintes;
-
dificuldade na organização das prioridades.
Ao acompanhar a quantidade que entra e sai de cada operação, fica mais fácil perceber onde o fluxo está sendo interrompido.
Tempos de preparação elevados
A preparação de máquinas e equipamentos também pode afetar a produtividade.
Antes de iniciar uma nova ordem, pode ser necessário:
-
trocar ferramentas;
-
ajustar equipamentos;
-
realizar regulagens;
-
preparar materiais;
-
configurar parâmetros.
Quando esse tempo é muito elevado, uma parcela significativa da capacidade disponível deixa de ser utilizada na fabricação.
Por exemplo, uma máquina pode trabalhar seis horas durante o dia, mas utilizar duas horas adicionais somente em preparações e trocas.
Se esse comportamento ocorrer constantemente, o tempo de preparação deverá fazer parte das análises de planejamento.
Paradas recorrentes
Paradas frequentes também podem revelar gargalos.
Mesmo que cada interrupção seja curta, a soma ao longo do dia pode representar uma perda considerável de tempo produtivo.
Por isso, é importante registrar:
-
duração da parada;
-
horário;
-
máquina;
-
etapa;
-
ordem relacionada;
-
motivo da ocorrência.
Se uma mesma máquina registra várias interrupções semelhantes, o histórico permite identificar um padrão.
Ao combinar essas informações com os demais registros da ordem, torna-se mais fácil entender por que determinados prazos ou quantidades não foram alcançados.
Quais indicadores acompanhar no controle da produção?
Indicadores ajudam a transformar os registros da rotina em informações que podem ser analisadas.
Não é necessário acompanhar dezenas de números ao mesmo tempo. O ideal é utilizar indicadores relacionados aos principais objetivos da produção, como quantidade, tempo, perdas, paradas e cumprimento das ordens.
Um acompanhamento simples e frequente permite perceber mudanças no desempenho antes que elas se transformem em problemas maiores.
Quantidade produzida
A quantidade produzida mostra quanto foi fabricado em determinado período ou ordem.
Esse indicador pode ser acompanhado:
-
por dia;
-
por produto;
-
por ordem;
-
por etapa;
-
por máquina.
Também pode ser comparado com a quantidade planejada.
Se a previsão diária era produzir 800 unidades e apenas 650 foram concluídas, existe uma diferença de 150 unidades que precisa ser analisada.
Tempo médio de produção
O tempo médio mostra quanto determinada operação costuma levar.
Para obtê-lo, podem ser analisadas várias execuções semelhantes.
Por exemplo, se uma etapa levou quatro horas em uma ordem, cinco horas em outra e quatro horas e meia em uma terceira, esses registros ajudam a compreender melhor seu comportamento.
O indicador também pode revelar se os tempos utilizados no planejamento continuam adequados.
Percentual de perdas
Acompanhar as perdas em relação ao total produzido facilita a comparação entre diferentes períodos ou produtos.
Por exemplo, se foram fabricadas 1.000 unidades e 40 foram descartadas, a perda corresponde a 4% da produção.
O mais importante é acompanhar a evolução desse resultado.
Se determinado produto apresentava perdas próximas de 2% e passa a registrar 5%, existe uma mudança que merece investigação.
Índice de retrabalho
O retrabalho representa produtos que precisam passar novamente por alguma operação antes da aprovação.
Uma quantidade elevada pode consumir tempo e capacidade que deveriam ser utilizados em novas ordens.
Esse indicador pode mostrar:
-
quantidade retrabalhada;
-
etapa de origem;
-
motivo;
-
produto relacionado.
Quanto mais detalhado o registro, mais fácil será localizar os pontos onde as correções estão sendo necessárias.
Ordens atrasadas
A quantidade de ordens concluídas depois do prazo ajuda a avaliar se a programação está sendo cumprida.
Esse indicador pode ser acompanhado juntamente com os motivos dos atrasos.
Não basta saber que dez ordens ficaram atrasadas. É mais útil entender se os atrasos aconteceram por falta de materiais, gargalos, paradas ou tempos superiores ao previsto.
Tempo de parada
O tempo de parada mostra quanto do período disponível deixou de ser utilizado para produzir.
Uma máquina pode estar disponível por oito horas, mas registrar duas horas de interrupções.
Nesse caso, apenas seis horas ficaram efetivamente disponíveis para operação.
Ao acompanhar os motivos das paradas, a empresa consegue descobrir quais ocorrências representam maior impacto.
Produção planejada x realizada
Comparar o planejado com o realizado permite verificar se as metas de produção estão sendo alcançadas.
Por exemplo:
Planejado: 5.000 unidades na semana.
Realizado: 4.400 unidades.
Diferença: 600 unidades abaixo do programado.
O próximo passo é analisar os demais indicadores para compreender o que causou essa diferença.
Consumo de materiais
Também é importante comparar o consumo previsto com o realizado.
Se determinada ordem estava planejada para consumir 700 kg de matéria-prima e utilizou 760 kg, existe um consumo adicional de 60 kg.
Esse resultado deve ser analisado juntamente com perdas, refugos, regulagens e retrabalhos.
Com um Sistema de Controle de Produção, esses indicadores podem ser relacionados às próprias ordens, facilitando a comparação entre períodos, produtos e etapas e ajudando a identificar onde estão os principais desvios da operação.
Como integrar produção, estoque e compras?
Produção, estoque e compras precisam trabalhar com informações alinhadas. Quando cada área utiliza controles separados, aumenta o risco de abrir uma ordem sem matéria-prima suficiente, comprar produtos que já estão disponíveis ou manter saldos diferentes da quantidade existente fisicamente.
A integração permite que as movimentações realizadas em uma etapa sejam consideradas pelas demais. Antes de liberar uma ordem, por exemplo, é possível consultar os materiais necessários e verificar a disponibilidade no estoque.
Um Sistema de Controle de Produção pode ajudar a organizar esse fluxo, relacionando ordens produtivas, matérias-primas, consumo e necessidades de reposição.
Imagine uma ordem para produzir 1.000 unidades. Para completar essa fabricação, são necessários:
-
500 kg da matéria-prima A;
-
200 unidades do componente B;
-
1.000 unidades da embalagem C.
Antes de começar, é importante verificar se esses itens estão disponíveis. Caso um dos componentes esteja abaixo da quantidade necessária, a falta pode comprometer toda a programação.
Consulta do estoque antes da produção
A consulta ao estoque deve acontecer antes da liberação das ordens.
Esse processo permite saber:
-
quantidade disponível;
-
materiais já reservados;
-
saldo necessário para outras ordens;
-
itens em falta;
-
compras ainda não recebidas.
Apenas visualizar o saldo total pode não ser suficiente.
Imagine que existam 600 unidades de determinado componente no estoque, mas 400 já estejam reservadas para outra ordem. Nesse caso, somente 200 unidades estão realmente disponíveis para uma nova produção.
Essa diferença precisa ser considerada durante o planejamento.
Reserva de materiais
A reserva ajuda a separar virtualmente os materiais necessários para uma ordem futura.
Isso evita que o mesmo saldo seja considerado disponível para diferentes produções.
Por exemplo, uma ordem prevista para iniciar no dia seguinte precisará de 300 kg de matéria-prima. Mesmo que esse material ainda esteja fisicamente no estoque, ele pode ser reservado para impedir que seja utilizado em outra atividade.
A reserva também facilita a identificação do saldo efetivamente disponível.
Uma visão organizada pode separar:
-
estoque físico;
-
quantidade reservada;
-
quantidade disponível;
-
necessidade pendente.
Dessa forma, o planejamento consegue trabalhar com uma informação mais próxima da realidade.
Consumo de materiais durante a produção
Quando a fabricação começa, os materiais utilizados precisam ser registrados.
Esse consumo pode ser relacionado à própria ordem para mostrar quanto foi efetivamente utilizado.
Se uma produção previa consumo de 400 kg e foram utilizados 430 kg, a diferença de 30 kg poderá ser analisada posteriormente.
O registro também ajuda a evitar que o estoque continue apresentando materiais que já foram consumidos no chão de fábrica.
Além da quantidade utilizada, pode ser importante acompanhar perdas, refugos e materiais adicionais usados durante a execução.
Identificação da necessidade de compras
Quando a quantidade disponível não é suficiente para atender uma ordem, essa informação precisa ser identificada antes do início da fabricação.
Por exemplo:
Necessidade da ordem: 500 unidades.
Disponível no estoque: 320 unidades.
Quantidade faltante: 180 unidades.
Esse cenário indica uma necessidade que pode demandar reposição antes da liberação da ordem.
O acompanhamento antecipado reduz situações em que a produção começa e precisa ser interrompida porque um componente acabou no meio do processo.
Também é possível considerar materiais necessários para várias ordens programadas.
Se três produções futuras utilizam o mesmo componente, o planejamento deve considerar a soma dessas necessidades e não apenas uma ordem isoladamente.
Entrada dos produtos acabados
Depois que a produção é finalizada, a quantidade aprovada precisa ser registrada como produto acabado.
É importante diferenciar aquilo que foi produzido do que realmente está disponível.
Imagine uma ordem de 1.000 unidades com:
-
970 unidades aprovadas;
-
20 unidades destinadas ao retrabalho;
-
10 unidades refugadas.
Nesse caso, somente as 970 unidades aprovadas devem ser consideradas como produto acabado disponível, caso já tenham cumprido todas as etapas necessárias.
Esse controle evita aumentar o estoque com produtos que ainda não estão prontos para utilização ou venda.
Atualização dos saldos
As movimentações realizadas durante a fabricação precisam refletir nos saldos.
Quando uma matéria-prima é consumida, sua quantidade disponível deve ser reduzida. Quando o produto final é concluído, sua entrada deve ser registrada.
Esse fluxo cria uma sequência lógica:
Reserva dos materiais → Consumo → Produção → Apontamento → Entrada do produto acabado.
A integração reduz a necessidade de repetir registros em diferentes controles e facilita a consulta das informações atualizadas.
Também permite entender de onde vieram determinadas movimentações, relacionando entradas e consumos às respectivas ordens.
Como escolher um Sistema de Controle de Produção?
Escolher uma solução para acompanhar a produção exige analisar as necessidades reais da operação.
Não basta observar uma grande quantidade de funcionalidades. É mais importante verificar se os recursos disponíveis ajudam a controlar os processos que fazem parte da rotina da indústria.
O Sistema de Controle de Produção deve facilitar o registro e a consulta das informações, permitindo acompanhar ordens, materiais, tempos, quantidades e ocorrências sem tornar a operação excessivamente complexa.
Facilidade de utilização
A solução precisa apresentar informações de maneira organizada e permitir que as principais tarefas sejam executadas com clareza.
Um processo muito complicado para registrar uma produção pode dificultar a atualização dos dados.
Por isso, é importante avaliar como são realizadas atividades como:
-
criação das ordens;
-
consulta do andamento;
-
apontamento das quantidades;
-
registro dos tempos;
-
lançamento das perdas;
-
consulta dos materiais.
Quanto mais simples for manter as informações atualizadas, maior será a utilidade do controle no dia a dia.
Controle das ordens de produção
As ordens devem concentrar as principais informações sobre aquilo que será fabricado.
É importante conseguir acompanhar:
-
produto;
-
quantidade;
-
materiais;
-
etapas;
-
situação;
-
datas;
-
quantidades realizadas;
-
saldo pendente.
Esse controle permite saber o que ainda precisa ser produzido e quais ordens já foram finalizadas.
Apontamentos produtivos
Os apontamentos mostram aquilo que aconteceu durante a execução.
Por isso, a solução precisa permitir registrar dados relevantes sem depender apenas do planejamento inicial.
Entre as informações importantes estão:
-
quantidade fabricada;
-
quantidade aprovada;
-
perdas;
-
retrabalho;
-
início e término das atividades;
-
paradas;
-
etapa executada.
Esses registros ajudam a construir um histórico das ordens.
Controle de tempos
Outra característica importante é conseguir comparar o tempo previsto com o utilizado.
O acompanhamento pode considerar:
-
preparação;
-
execução;
-
parada;
-
tempo total;
-
duração por etapa.
Essas informações ajudam a localizar operações que estão demorando mais que o esperado.
Registro de perdas
As perdas não devem ficar misturadas com as quantidades produzidas.
É importante conseguir separar situações como:
-
refugo;
-
retrabalho;
-
desperdício de material;
-
perda durante regulagem;
-
produtos com defeito.
Também é útil registrar o motivo da ocorrência para facilitar análises futuras.
Comparação entre planejado e realizado
Um bom controle precisa mostrar se aquilo que foi planejado corresponde ao resultado obtido.
Podem ser comparados:
-
tempo;
-
quantidade;
-
consumo;
-
perdas;
-
prazo.
Quando determinada diferença aparece repetidamente, a empresa consegue identificar a necessidade de revisar seus parâmetros ou processos.
Controle de materiais
Os materiais necessários para fabricação precisam estar relacionados às ordens.
Isso permite verificar disponibilidade, consumo e necessidade de reposição.
Também é importante considerar materiais reservados, evitando que o mesmo saldo seja utilizado em diferentes planejamentos.
Relatórios e indicadores
Relatórios ajudam a transformar os registros em informações mais fáceis de analisar.
Entre os dados que podem ser acompanhados estão:
-
produção por período;
-
ordens em andamento;
-
ordens atrasadas;
-
quantidades produzidas;
-
perdas;
-
retrabalhos;
-
tempos;
-
consumo de materiais.
O objetivo é facilitar a identificação de desvios e oferecer informações que auxiliem no acompanhamento da operação.
Integração entre estoque, compras e produção
Por fim, é importante observar se as principais movimentações da produção conseguem permanecer relacionadas ao estoque e às necessidades de compra.
Quando uma ordem é planejada, os materiais precisam ser verificados. Durante a execução, o consumo deve atualizar as quantidades. Ao terminar a fabricação, os produtos acabados precisam ser registrados corretamente.
Essa integração permite acompanhar o fluxo desde a necessidade de matéria-prima até a finalização da ordem, reduzindo controles paralelos e proporcionando uma visão mais organizada da rotina produtiva.