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Sistema de Controle de Produção: Como Identificar e Reduzir Gargalos na Fábrica

Aprenda a localizar restrições, analisar a capacidade produtiva e melhorar o fluxo de fabricação.

Sistema de Controle de Produção: Como Identificar e Reduzir Gargalos na Fábrica

Sistema de Controle de Produção: como identificar e reduzir gargalos na fábrica

Manter a produção organizada exige muito mais do que saber quantos produtos foram fabricados ao final do dia. A indústria precisa acompanhar materiais, Ordens de Produção, etapas, máquinas, tempos e quantidades para entender o que realmente acontece no chão de fábrica.

Um Sistema de Controle de Produção reúne essas informações em um ambiente centralizado, facilitando o acompanhamento do processo desde a necessidade de fabricar determinado item até sua conclusão e entrada no estoque de produtos acabados.

Essa visão ajuda a identificar atrasos, desperdícios e limitações que podem comprometer o ritmo da fábrica. Em vez de perceber o problema somente quando uma entrega atrasa, a empresa consegue observar sinais durante a própria execução da produção.

O que é um Sistema de Controle de Produção

Esse tipo de sistema é utilizado para registrar e acompanhar as principais informações envolvidas na fabricação. O objetivo é permitir que diferentes etapas sejam analisadas de maneira integrada, evitando controles isolados que dificultam a identificação de problemas.

Entre as informações que podem ser acompanhadas estão:

  • Ordens de Produção abertas, em andamento e concluídas;

  • disponibilidade e consumo de matérias-primas;

  • etapas necessárias para fabricar cada produto;

  • quantidades planejadas e efetivamente produzidas;

  • tempos previstos e realizados;

  • perdas, refugos e retrabalhos;

  • máquinas e recursos utilizados;

  • produtos concluídos disponíveis em estoque.

Imagine uma empresa que precisa produzir mil unidades de determinado item. Antes de iniciar a fabricação, é necessário verificar se existem materiais disponíveis, quais operações serão realizadas, quais recursos serão utilizados e quanto tempo cada etapa deverá consumir.

Durante a execução, os apontamentos mostram quanto já foi produzido, quais etapas foram concluídas e se existem atrasos. Dessa forma, fica mais fácil descobrir onde o fluxo está perdendo eficiência.

Por que os gargalos prejudicam a produção

Um gargalo ocorre quando determinada etapa não consegue acompanhar o volume recebido das operações anteriores. Isso cria uma limitação no fluxo produtivo.

Considere uma linha formada por três operações. A primeira consegue processar 500 peças por dia, enquanto a segunda possui capacidade para apenas 350. Mesmo que a terceira consiga trabalhar com 600 peças diariamente, o processo continuará limitado pela etapa que entrega apenas 350.

Nesse exemplo, aproximadamente 150 peças podem ficar aguardando processamento diariamente caso o ritmo anterior seja mantido.

Com o passar do tempo, esse desequilíbrio pode gerar:

  • acúmulo de produtos entre operações;

  • Ordens de Produção atrasadas;

  • aumento do tempo necessário para concluir os produtos;

  • máquinas esperando materiais ou etapas anteriores;

  • recursos sobrecarregados enquanto outros ficam ociosos;

  • dificuldades para cumprir datas previstas;

  • aumento de produtos parcialmente fabricados.

O problema, portanto, não está necessariamente na capacidade total da fábrica, mas na maneira como essa capacidade está distribuída entre as operações.

O que são gargalos de produção e como eles surgem?

Nem todo gargalo possui a mesma origem. Algumas limitações estão relacionadas às máquinas, enquanto outras surgem por falta de materiais, problemas no planejamento ou falhas no próprio fluxo operacional.

Identificar a causa é importante porque diferentes problemas exigem diferentes ações.

Gargalo de capacidade

O gargalo de capacidade aparece quando uma máquina, equipamento ou operação recebe mais trabalho do que consegue realizar dentro do período disponível.

Uma fábrica pode apresentar a seguinte capacidade diária:

  • Corte: 800 peças;

  • Usinagem: 500 peças;

  • Montagem: 750 peças.

Nesse cenário, a usinagem merece atenção porque consegue processar uma quantidade significativamente menor do que as demais operações.

Isso não significa que a máquina esteja necessariamente apresentando defeito. Pode simplesmente existir uma diferença entre a carga programada e sua capacidade disponível.

O acompanhamento pelo Sistema de Controle de Produção permite comparar essas informações e perceber quando determinado recurso recebe uma carga superior ao que consegue executar.

Gargalo provocado pela falta de materiais

A produção também pode parar mesmo quando existem máquinas disponíveis.

Isso acontece quando faltam:

  • matérias-primas;

  • componentes;

  • embalagens;

  • peças intermediárias;

  • materiais necessários para operações específicas.

Em algumas situações, o estoque físico possui determinada quantidade, mas o saldo registrado está incorreto. Em outras, a compra foi realizada tarde demais e o material não chegou antes da data prevista para iniciar a fabricação.

Por isso, produção e disponibilidade de materiais precisam ser acompanhadas de forma coordenada.

Gargalos relacionados ao processo

Uma operação pode apresentar capacidade suficiente e, ainda assim, gerar atrasos por causa da maneira como o trabalho está organizado.

Entre os problemas que podem interferir no fluxo estão:

  • sequência inadequada das operações;

  • preparações demoradas;

  • movimentações desnecessárias de materiais;

  • excesso de retrabalho;

  • espera pela conclusão de etapas anteriores;

  • demora para liberar uma Ordem de Produção;

  • necessidade frequente de ajustes.

Essas situações consomem tempo sem necessariamente aumentar a quantidade produzida.

Gargalos temporários e recorrentes

Também é importante diferenciar problemas isolados de restrições frequentes.

Um equipamento que fica indisponível durante algumas horas por causa de um ajuste inesperado pode gerar um gargalo temporário. Depois que a situação é resolvida, o fluxo retorna ao normal.

Já um recurso que acumula filas praticamente todos os dias indica um problema recorrente.

O histórico ajuda a fazer essa diferenciação. Quando a mesma máquina ou etapa aparece repetidamente associada a atrasos, paradas e Ordens de Produção pendentes, existe um sinal mais consistente de que aquela operação precisa ser investigada.

Quais sinais indicam que existe um gargalo na fábrica?

Muitos gargalos deixam sinais antes de provocarem atrasos mais graves. O desafio está em acompanhar essas informações de maneira organizada.

Um dos sinais mais visíveis é o acúmulo de produtos entre duas operações. Quando diversas peças permanecem aguardando sempre antes da mesma máquina, pode existir uma diferença entre o ritmo de entrada e a capacidade de processamento.

Ordens de Produção constantemente atrasadas

Outro indicador importante é a frequência de ordens concluídas depois do prazo.

Para avaliar esse cenário, é possível comparar:

  • data prevista para início;

  • data efetiva de início;

  • data prevista de conclusão;

  • data efetiva de conclusão.

Se várias ordens apresentam atraso e passam pela mesma operação, esse ponto do processo merece uma análise detalhada.

O Sistema de Controle de Produção ajuda a manter esse histórico disponível, facilitando a comparação entre o planejamento e aquilo que realmente aconteceu na fábrica.

Tempo excessivo de espera

Uma Ordem de Produção pode permanecer vários dias aberta sem que todo esse período corresponda a trabalho efetivo.

Por isso, é importante separar:

  • tempo em produção;

  • tempo aguardando matéria-prima;

  • tempo aguardando máquina disponível;

  • tempo esperando a operação anterior;

  • tempo de preparação;

  • tempo parado.

Essa separação permite entender se o problema está na velocidade da operação ou nas esperas que acontecem ao redor dela.

Produção abaixo do planejado

A comparação entre quantidade planejada e quantidade produzida é outra forma simples de encontrar desvios.

Se uma ordem previa 1.000 unidades e somente 780 foram concluídas dentro do período programado, existe uma diferença de 220 unidades que precisa ser explicada.

A análise pode revelar falta de material, parada de equipamento, tempo de preparação acima do esperado, perdas ou capacidade insuficiente.

Excesso de produtos em processo

Produtos em processo são itens que já começaram a ser fabricados, mas ainda não chegaram à etapa final.

Quando o volume aumenta continuamente entre determinadas operações, existe um sinal de desequilíbrio.

Uma fábrica pode ter muitas peças cortadas aguardando usinagem, por exemplo. Embora o setor de corte apresente boa produtividade, o resultado geral da fábrica não melhora enquanto essas peças permanecem paradas.

Por isso, acompanhar apenas quanto cada setor produz não é suficiente. É necessário observar como os produtos avançam entre as etapas e quanto tempo permanecem aguardando processamento.

Ao reunir ordens, quantidades, tempos, materiais e apontamentos, o Sistema de Controle de Produção permite visualizar esses desvios com maior clareza e direcionar a análise para os pontos que realmente estão limitando o fluxo produtivo.

Como mapear o processo produtivo antes de procurar gargalos?

Antes de tentar corrigir um gargalo, é necessário entender com clareza como a produção realmente acontece. Muitas dificuldades aparecem porque a empresa conhece as etapas de maneira geral, mas não possui uma visão detalhada sobre o caminho percorrido pelos materiais, os recursos envolvidos e o tempo necessário em cada operação.

O mapeamento produtivo permite enxergar o processo completo e facilita a identificação dos pontos nos quais existe excesso de espera, baixa capacidade, retrabalho ou acúmulo de itens.

Identificar todas as etapas da fabricação

O primeiro passo é listar todas as operações necessárias para transformar a matéria-prima em produto acabado.

Um fluxo simplificado pode seguir esta sequência:

Matéria-prima → Corte → Usinagem → Pintura → Montagem → Inspeção → Produto acabado

Cada empresa terá uma sequência diferente de acordo com seus produtos e métodos de fabricação. Alguns itens podem passar por poucas operações, enquanto outros exigem diversas etapas até serem concluídos.

O importante é evitar que atividades intermediárias sejam ignoradas. Preparações, inspeções, movimentações e esperas também influenciam o tempo total de produção.

Esse levantamento ajuda a responder perguntas como:

  • Onde a fabricação começa?

  • Qual operação vem depois de cada etapa?

  • Existem processos que acontecem simultaneamente?

  • Algum produto retorna para uma operação anterior?

  • Em quais pontos são realizadas inspeções?

  • Onde os materiais permanecem aguardando processamento?

Quanto mais clara for essa sequência, mais fácil será entender onde o fluxo pode estar sendo interrompido.

Registrar os recursos utilizados

Depois de identificar as etapas, é necessário relacionar os recursos necessários para realizar cada operação.

Entre as informações importantes estão:

  • máquina utilizada;

  • equipamento necessário;

  • tempo padrão da operação;

  • capacidade disponível;

  • materiais consumidos;

  • quantidade processada;

  • tempo de preparação;

  • disponibilidade do recurso.

Uma operação de corte, por exemplo, pode utilizar duas máquinas com capacidades diferentes. Se esse detalhe não for registrado, a empresa pode considerar uma capacidade maior do que realmente possui em determinados períodos.

O Sistema de Controle de Produção ajuda a relacionar essas informações às operações e às Ordens de Produção, criando uma visão mais organizada sobre os recursos utilizados na fabricação.

Determinar entradas e saídas de cada etapa

Outro ponto importante é descobrir quanto cada operação recebe e quanto consegue entregar.

Imagine que o setor de corte disponibilize 700 peças por dia para a usinagem. Se a usinagem consegue processar apenas 500 unidades no mesmo período, aproximadamente 200 peças poderão permanecer aguardando entre as etapas.

Essa diferença deve ser acompanhada porque revela um possível desequilíbrio no fluxo.

É possível analisar:

  • quantidade recebida pela operação;

  • quantidade processada;

  • quantidade aprovada;

  • quantidade rejeitada;

  • saldo aguardando processamento.

Essa avaliação não precisa ser feita apenas em quantidades. Dependendo do processo, também pode ser analisada em horas de trabalho, lotes ou outra unidade adequada à fabricação.

Comparar capacidade entre operações

Mapear o processo permite comparar a capacidade das diferentes etapas.

Considere o seguinte cenário:

  • Corte: 900 peças por dia;

  • Usinagem: 620 peças por dia;

  • Pintura: 700 peças por dia;

  • Montagem: 750 peças por dia.

A usinagem apresenta a menor capacidade da sequência. Isso não confirma automaticamente que ela seja o único problema, mas indica um ponto que merece investigação.

Também é necessário verificar a demanda. Uma operação com capacidade para 620 peças não será um gargalo se precisar processar somente 400. O problema ocorre quando o volume necessário supera aquilo que o recurso consegue realizar no período disponível.

Criar um fluxograma produtivo

Transformar o processo em uma representação visual facilita a compreensão das relações entre as etapas.

O fluxograma pode mostrar:

  • início da fabricação;

  • sequência das operações;

  • movimentação dos materiais;

  • pontos de inspeção;

  • retornos para retrabalho;

  • etapas paralelas;

  • estoques intermediários;

  • finalização do produto.

Ao analisar esse percurso, torna-se mais simples encontrar filas, retornos frequentes e locais nos quais os produtos permanecem parados por períodos elevados.

Como um Sistema de Controle de Produção ajuda a localizar gargalos?

Depois de mapear o processo, o próximo passo é acompanhar o comportamento real da fábrica. É nesse momento que os dados registrados durante a execução ganham importância.

Um planejamento pode indicar que determinada operação levará três horas, mas os apontamentos podem mostrar que ela normalmente utiliza cinco. Da mesma forma, uma máquina pode possuir capacidade teórica elevada, mas apresentar frequentes períodos de parada.

A análise dessas diferenças ajuda a localizar as causas dos atrasos.

Acompanhamento das Ordens de Produção

As Ordens de Produção permitem visualizar o andamento das fabricações abertas pela empresa.

Elas podem ser acompanhadas de acordo com situações como:

  • abertas;

  • aguardando início;

  • em produção;

  • atrasadas;

  • paradas;

  • concluídas.

Se várias ordens permanecem durante muito tempo na mesma etapa, existe um sinal de que aquele ponto do processo precisa ser analisado.

Também é possível verificar se os atrasos estão concentrados em determinado produto, máquina ou operação.

Apontamento da produção

O apontamento registra aquilo que realmente aconteceu durante a fabricação.

Entre os dados que podem ser informados estão:

  • quantidade produzida;

  • quantidade rejeitada;

  • horário de início;

  • horário de término;

  • tempo utilizado;

  • operação executada;

  • quantidade restante.

Essas informações permitem comparar planejamento e execução.

Se uma operação deveria produzir 100 peças por hora, mas frequentemente produz 70, é necessário descobrir o motivo da diferença.

O problema pode estar relacionado à velocidade da máquina, preparação, falta de material, perdas ou outras interrupções.

Registro e classificação das paradas

Uma máquina parada reduz a capacidade efetivamente disponível para produção. Por isso, registrar apenas o tempo de parada não é suficiente. Também é importante identificar sua causa.

As ocorrências podem ser classificadas como:

  • falta de material;

  • preparação;

  • ajuste;

  • manutenção;

  • espera pela operação anterior;

  • falta de ferramenta;

  • limpeza;

  • outras interrupções produtivas.

Essa classificação permite descobrir quais motivos possuem maior impacto.

Por exemplo, se determinada máquina apresenta 20 horas de parada no mês, a informação isolada mostra que existe uma perda de capacidade. Porém, saber que 14 dessas horas ocorreram por falta de material direciona a investigação para outra parte do processo.

Comparar o previsto com o realizado

Uma das análises mais úteis é verificar a diferença entre aquilo que deveria acontecer e o resultado efetivamente registrado.

Duas comparações são fundamentais:

Tempo previsto × Tempo realizado

Quantidade prevista × Quantidade produzida

Se uma etapa estava programada para durar quatro horas e levou sete, existe um desvio de três horas.

Da mesma forma, se uma ordem previa 1.200 unidades no período e somente 950 foram concluídas, é necessário investigar as 250 unidades restantes.

Quando essas diferenças são recorrentes, elas podem indicar problemas de capacidade ou planejamento.

Utilizar o histórico produtivo

Um único atraso nem sempre representa um gargalo. Por isso, o histórico é importante.

O Sistema de Controle de Produção permite analisar registros anteriores e identificar padrões.

A empresa pode descobrir, por exemplo, que:

  • determinada máquina aparece frequentemente em ordens atrasadas;

  • uma operação costuma utilizar mais tempo do que o previsto;

  • certo produto concentra grande quantidade de retrabalho;

  • determinadas paradas acontecem repetidamente;

  • uma etapa acumula produtos em processo toda semana.

Quanto maior a consistência dessas ocorrências, maior a necessidade de investigação.

Indicadores importantes para identificar gargalos produtivos

Os indicadores transformam os registros da produção em informações que facilitam a análise. Eles ajudam a comparar períodos, operações e recursos, permitindo encontrar desvios que poderiam passar despercebidos na rotina.

Tempo de ciclo

O tempo de ciclo mostra quanto uma operação leva para processar uma unidade ou determinado lote.

Se uma máquina produz uma peça a cada dois minutos, esse período representa seu tempo de ciclo naquela condição produtiva.

Mudanças frequentes nesse indicador podem sinalizar:

  • perda de desempenho;

  • preparações maiores;

  • dificuldades operacionais;

  • aumento de retrabalho;

  • problemas relacionados aos materiais.

Também é possível comparar operações semelhantes para entender diferenças de desempenho.

Lead time de produção

O lead time considera o período completo entre a liberação da fabricação e a conclusão do produto.

Nesse intervalo podem existir:

  • processamento;

  • preparação;

  • movimentação;

  • espera;

  • inspeção;

  • paradas.

Por isso, um lead time elevado não significa necessariamente que as operações estejam demorando demais. Muitas vezes, uma parcela significativa do período está relacionada às esperas entre etapas.

Capacidade produtiva

A capacidade mostra quanto determinado recurso consegue produzir dentro de um período.

A análise deve comparar:

Capacidade disponível × Capacidade necessária

Uma máquina que possui disponibilidade para produzir 600 unidades, mas recebe uma programação de 850, apresenta um excesso de carga de 250 unidades.

Esse tipo de comparação ajuda a antecipar dificuldades antes que elas resultem em ordens atrasadas.

Produção planejada versus realizada

Esse indicador mostra se aquilo que foi programado está sendo efetivamente produzido.

Exemplo:

Planejado: 1.000 unidades

Realizado: 820 unidades

Diferença: 180 unidades

A diferença deve gerar uma investigação. Entre as possíveis causas estão paradas, materiais indisponíveis, capacidade insuficiente, perdas ou tempos maiores do que os previstos.

O acompanhamento contínuo evita que essas diferenças sejam percebidas somente no encerramento da ordem.

Tempo de parada

Além do total de horas paradas, é importante analisar os motivos.

Se uma fábrica registrar:

  • 12 horas por falta de material;

  • 8 horas por ajustes;

  • 5 horas por manutenção;

  • 3 horas por falta de ferramenta;

a análise permite priorizar os motivos que mais reduzem a capacidade disponível.

Índice de perdas e refugos

Nem toda peça processada se transforma em produto aproveitável.

Quando existe uma quantidade elevada de perdas, a fábrica utiliza materiais, máquinas e tempo sem gerar a produção esperada.

Se uma operação processar 1.000 peças e 120 forem rejeitadas, parte da capacidade foi utilizada em produtos que não seguirão normalmente pelo fluxo.

Além do desperdício de materiais, isso pode exigir reposição das unidades perdidas e ocupar novamente recursos produtivos.

Produtos em processo

Produtos em processo são aqueles que já entraram na fabricação, mas ainda não foram concluídos.

Uma quantidade elevada não significa necessariamente alta produtividade. Em alguns casos, representa produtos acumulados aguardando a próxima operação.

Por isso, acompanhar onde esses itens estão concentrados é fundamental.

Se o estoque intermediário antes da pintura cresce constantemente, enquanto outras etapas apresentam pouco acúmulo, esse comportamento pode indicar uma restrição naquela operação.

Ao combinar indicadores de capacidade, tempos, paradas, perdas, Ordens de Produção e produtos em processo, o Sistema de Controle de Produção oferece uma visão mais detalhada sobre onde o fluxo perde velocidade e quais ocorrências precisam ser analisadas com maior prioridade.

Principais indicadores para analisar gargalos na produção

Identificar um gargalo exige mais do que observar onde existem produtos acumulados ou máquinas paradas. Para compreender o que realmente está limitando o fluxo da fábrica, é necessário acompanhar indicadores que mostrem o comportamento das operações ao longo do tempo.

Essas informações ajudam a diferenciar uma ocorrência isolada de um problema recorrente. Uma máquina que apresenta uma parada eventual, por exemplo, não necessariamente representa uma restrição permanente. Por outro lado, quando o mesmo recurso registra atrasos, filas e baixa produção em vários períodos, existe um sinal mais consistente de dificuldade.

O Sistema de Controle de Produção pode reunir esses dados e facilitar a comparação entre planejamento e execução, permitindo que a empresa investigue os pontos que mais interferem no desempenho da fabricação.

Tabela de principais indicadores para analisar gargalos na produção

Indicador O que analisar Possível sinal de gargalo
Tempo de ciclo Duração de cada operação Uma operação demora muito mais que as demais
Capacidade produtiva Quanto cada recurso consegue produzir Capacidade inferior à demanda
Produção planejada x realizada Diferença entre previsão e execução Produção frequentemente abaixo da meta
Tempo de parada Períodos sem produção Paradas recorrentes no mesmo recurso
Produtos em processo Quantidade aguardando próxima operação Acúmulo antes de determinada etapa
Lead time Tempo total para fabricar Crescimento contínuo do prazo de produção
Perdas e refugos Quantidades descartadas ou refeitas Retrabalho reduzindo a capacidade disponível
Ordens atrasadas OPs fora da programação Atrasos concentrados em uma mesma operação

Tempo de ciclo

O tempo de ciclo representa quanto uma operação demora para processar determinada unidade, quantidade ou lote.

Esse indicador pode ajudar a identificar etapas que trabalham em ritmo muito diferente das anteriores e posteriores.

Imagine uma sequência em que:

  • o corte processa uma peça a cada 2 minutos;

  • a usinagem demora 5 minutos;

  • a montagem utiliza 3 minutos.

Se todos os produtos precisarem obrigatoriamente passar pelas três operações, a usinagem pode limitar a velocidade do processo.

Entretanto, o tempo de ciclo precisa ser analisado junto com a quantidade de recursos disponíveis. Duas máquinas realizando a mesma operação podem aumentar a capacidade total da etapa.

Também é importante observar mudanças no indicador. Se determinada atividade normalmente leva quatro minutos e começa a consumir seis ou sete minutos, pode existir alguma condição interferindo na execução.

Capacidade produtiva

A capacidade produtiva mostra quanto uma máquina, equipamento ou operação consegue executar dentro de determinado período.

O principal objetivo é compará-la com a demanda existente.

Por exemplo:

Capacidade disponível: 700 unidades por dia

Necessidade de produção: 900 unidades por dia

Nesse cenário, existe uma diferença de 200 unidades. Caso nenhuma alteração seja realizada, parte da produção poderá permanecer aguardando processamento.

A análise não deve considerar somente a capacidade teórica do equipamento. É necessário observar o tempo realmente disponível depois de considerar preparações, ajustes, paradas e outras interrupções.

Produção planejada x realizada

Comparar aquilo que foi planejado com o resultado efetivamente alcançado é uma das formas mais simples de perceber desvios.

Considere uma Ordem de Produção com:

Planejado: 1.500 unidades

Realizado: 1.180 unidades

Diferença: 320 unidades

A existência dessa diferença não mostra automaticamente sua causa. Ela indica que é necessário investigar por que a quantidade programada não foi atingida.

Entre os motivos possíveis estão:

  • indisponibilidade de matéria-prima;

  • parada de máquina;

  • tempo de operação maior que o previsto;

  • perdas;

  • retrabalho;

  • capacidade insuficiente.

Quando a diferença se repete em determinada operação, existe um sinal de que aquele ponto pode estar limitando o resultado.

Tempo de parada

Uma máquina pode possuir capacidade suficiente no papel e, mesmo assim, não conseguir entregar o volume planejado.

Isso acontece quando parte das horas disponíveis é perdida com interrupções.

Por esse motivo, o tempo de parada deve ser acompanhado por causa.

Algumas classificações possíveis são:

  • falta de material;

  • manutenção;

  • preparação;

  • ajuste;

  • falta de ferramenta;

  • espera pela operação anterior.

Imagine uma máquina disponível durante 160 horas no mês que permaneceu parada durante 35 horas. Sua capacidade efetiva será diferente daquela calculada considerando todas as 160 horas.

O Sistema de Controle de Produção permite registrar essas ocorrências e criar um histórico para identificar quais motivos reduzem com maior frequência a disponibilidade dos recursos.

Produtos em processo

Um grande volume de produtos em fabricação não significa necessariamente que a fábrica esteja produzindo com eficiência.

Em algumas situações, existem muitos itens que começaram a ser fabricados, mas permanecem aguardando a próxima operação.

Exemplo:

  • Corte concluiu 1.000 peças;

  • Usinagem processou 650;

  • 350 permanecem aguardando.

Se esse estoque intermediário cresce continuamente, existe uma diferença entre o ritmo das duas operações.

O ponto de acúmulo pode indicar exatamente onde é necessário investigar capacidade, tempos ou disponibilidade.

Lead time de produção

O lead time representa o período necessário para que uma fabricação percorra todo o processo.

Ele pode começar na liberação da Ordem de Produção e terminar quando o produto é concluído.

Durante esse intervalo existem diferentes períodos:

  • processamento;

  • espera;

  • movimentação;

  • preparação;

  • inspeção;

  • paradas.

Por isso, um aumento no lead time deve ser analisado com atenção.

Se um produto normalmente leva três dias para ser concluído e passa a exigir cinco, é necessário descobrir onde essas horas ou dias adicionais estão sendo consumidos.

Muitas vezes, o problema não está no tempo efetivo de fabricação, mas nas esperas entre as operações.

Perdas e refugos

Perdas também podem consumir capacidade produtiva sem gerar produtos disponíveis para venda ou utilização.

Imagine que uma operação processe 2.000 unidades, mas 180 sejam rejeitadas.

A máquina utilizou tempo e materiais para fabricar todas as unidades, porém somente 1.820 poderão seguir normalmente pelo processo.

Dependendo da situação, as 180 unidades precisarão ser produzidas novamente. Isso significa utilizar capacidade adicional para atender à quantidade inicialmente planejada.

Quando determinado setor apresenta índices elevados de perdas ou retrabalho, seu desempenho precisa ser analisado juntamente com os demais indicadores.

Ordens de Produção atrasadas

A quantidade de Ordens de Produção atrasadas é outro indicador relevante para identificar dificuldades no fluxo.

Mais importante do que saber quantas estão atrasadas é descobrir onde os atrasos estão concentrados.

A análise pode considerar:

  • produto;

  • operação;

  • máquina;

  • período;

  • quantidade;

  • tempo de atraso.

Se diversas OPs diferentes ficam atrasadas sempre na mesma etapa, existe um indício mais forte de restrição.

Também é importante comparar a data prevista com a data efetiva de conclusão. Uma diferença eventual pode ser provocada por uma ocorrência específica, enquanto atrasos repetidos mostram que a capacidade, os tempos ou a programação daquela etapa precisam ser revisados.

Analisar os indicadores de maneira combinada

Nenhum indicador deve ser interpretado isoladamente.

Uma máquina pode apresentar tempo de ciclo adequado, mas registrar muitas paradas. Outra pode trabalhar continuamente, porém possuir capacidade menor do que a demanda recebida.

Da mesma maneira, o aumento de produtos em processo pode estar relacionado a uma operação lenta, falta de material, excesso de perdas ou programação inadequada.

Uma análise mais completa pode seguir esta sequência:

  • verificar onde existem Ordens de Produção atrasadas;

  • identificar em quais operações existe maior acúmulo;

  • comparar capacidade e carga programada;

  • analisar tempos de ciclo;

  • consultar os registros de parada;

  • verificar perdas e retrabalhos;

  • comparar quantidade planejada e realizada.

Com esses dados reunidos pelo Sistema de Controle de Produção, a empresa consegue identificar padrões e concentrar a investigação nas operações que apresentam maior impacto sobre o fluxo da fábrica.

Como analisar capacidade produtiva e carga de trabalho

Analisar a capacidade produtiva é essencial para entender se máquinas, equipamentos e operações conseguem atender ao volume de trabalho planejado. Quando essa avaliação não é realizada, a empresa pode liberar mais Ordens de Produção do que determinado recurso consegue executar, criando filas, atrasos e sobrecarga.

Um Sistema de Controle de Produção ajuda a organizar essas informações ao permitir que a capacidade disponível seja comparada com a carga programada. Dessa maneira, possíveis restrições podem ser identificadas antes que afetem os prazos de fabricação.

Capacidade disponível

A capacidade disponível representa quanto determinado recurso consegue produzir dentro de um período.

Para calcular essa disponibilidade, não basta considerar apenas o número total de horas do turno. É necessário observar quanto desse período estará realmente disponível para fabricação.

Entre os fatores que devem ser considerados estão:

  • horas disponíveis;

  • tempo necessário para cada operação;

  • quantidade de máquinas;

  • paradas planejadas;

  • tempo de preparação;

  • períodos destinados a ajustes;

  • indisponibilidades previamente conhecidas.

Imagine uma máquina disponível durante oito horas por dia. Se uma hora for utilizada para preparação e outra estiver reservada para uma parada programada, restarão seis horas efetivamente disponíveis para produção.

Quando esse cálculo é realizado para cada recurso, torna-se possível entender com maior precisão quanto trabalho pode ser programado.

Também é importante considerar que duas máquinas utilizadas para a mesma operação podem ter capacidades diferentes. Por isso, a análise deve respeitar as características reais de cada recurso.

Carga necessária

A carga representa a quantidade de trabalho que já está programada para determinada máquina, equipamento ou etapa produtiva.

Ela pode ser calculada considerando as Ordens de Produção liberadas e o tempo necessário para executar cada operação.

Considere uma máquina com 40 horas disponíveis durante a semana.

As ordens programadas exigem:

  • OP A: 15 horas;

  • OP B: 18 horas;

  • OP C: 12 horas;

  • OP D: 10 horas.

A carga total será de 55 horas.

Nesse caso, existe mais trabalho programado do que a máquina consegue realizar dentro das 40 horas disponíveis.

Se nenhuma ação for tomada, parte das ordens provavelmente será transferida para outro período ou ficará atrasada.

Comparar carga e capacidade

A comparação entre carga e capacidade permite antecipar possíveis gargalos.

No exemplo anterior:

Carga programada → 55 horas

Capacidade disponível → 40 horas

Excesso de carga → 15 horas

Essa diferença já indica uma possível dificuldade antes mesmo de a produção começar.

Em vez de esperar a ordem atrasar para identificar o problema, a empresa pode utilizar essas informações para revisar a programação.

Algumas alternativas podem incluir:

  • alterar a sequência das Ordens de Produção;

  • redistribuir operações;

  • revisar datas previstas;

  • utilizar outro recurso compatível;

  • ajustar tamanhos de lotes;

  • verificar prioridades.

O Sistema de Controle de Produção pode facilitar essa comparação ao reunir a carga dos recursos e a programação das ordens em uma mesma visão.

Distribuição da produção entre recursos

Quando existem máquinas ou equipamentos capazes de executar a mesma operação, parte da carga pode ser redistribuída.

Imagine duas máquinas:

Máquina A: 40 horas disponíveis e 55 horas programadas.

Máquina B: 40 horas disponíveis e 25 horas programadas.

Se ambas forem compatíveis com determinada operação, parte do trabalho da Máquina A poderá ser direcionada para a Máquina B.

Essa redistribuição ajuda a equilibrar a utilização dos recursos e reduz a concentração de trabalho em uma única etapa.

Entretanto, antes da alteração, é importante verificar:

  • compatibilidade do equipamento;

  • capacidade de processamento;

  • ferramentas necessárias;

  • sequência das operações;

  • tempos de preparação;

  • características do produto.

A distribuição deve melhorar o fluxo sem criar um novo problema em outra parte do processo.

Como reduzir gargalos sem simplesmente aumentar a produção?

Reduzir gargalos não significa necessariamente comprar máquinas ou tentar produzir mais rapidamente.

Em muitos casos, o problema está na programação, nas esperas, nos tempos de preparação ou na distribuição das ordens.

Por isso, antes de aumentar recursos, é importante analisar como a capacidade disponível está sendo utilizada.

Reprogramar Ordens de Produção

Uma programação inadequada pode criar sobrecarga mesmo quando a fábrica possui capacidade suficiente.

As Ordens de Produção devem ser organizadas considerando fatores como:

  • prazo de entrega;

  • disponibilidade de materiais;

  • capacidade dos recursos;

  • sequência produtiva;

  • tempo necessário para fabricação;

  • etapas que cada produto precisa percorrer.

Imagine que cinco ordens sejam liberadas simultaneamente para a mesma máquina. Mesmo que outras áreas estejam livres, aquela operação ficará sobrecarregada.

Reorganizar a sequência pode evitar essa concentração.

Também é importante evitar priorizar somente a ordem que chegou primeiro. Dependendo do processo, uma OP pode possuir prazo mais curto, material disponível ou menor tempo de fabricação.

Reduzir os tempos de preparação

A preparação de uma máquina faz parte do processo produtivo, mas não representa fabricação efetiva.

Trocas de ferramentas, regulagens, limpeza, configuração e ajustes podem consumir uma parcela significativa da capacidade disponível.

Imagine que uma máquina opere durante oito horas e seja necessária uma hora de preparação a cada troca de produto. Se forem realizadas quatro trocas no mesmo dia, quatro horas poderão ser destinadas apenas à preparação.

Uma alternativa é organizar a sequência de fabricação para reduzir trocas desnecessárias, quando isso for possível.

Agrupar produtos com características semelhantes pode diminuir o número de preparações e liberar mais tempo para processamento.

Ajustar o tamanho dos lotes

Lotes muito grandes podem parecer eficientes porque reduzem a quantidade de preparações. Entretanto, eles também podem ocupar uma máquina durante períodos extensos e criar filas nas operações seguintes.

Imagine que uma máquina produza um lote de 5.000 peças antes de liberar qualquer quantidade para a próxima etapa.

Enquanto isso, a operação seguinte pode permanecer aguardando.

Em determinadas situações, dividir a fabricação em lotes menores permite que parte das peças avance mais rapidamente pelo processo.

A definição do tamanho adequado precisa considerar:

  • capacidade das operações;

  • tempo de preparação;

  • demanda;

  • disponibilidade de materiais;

  • espaço para produtos em processo;

  • sequência produtiva.

Eliminar esperas desnecessárias

Nem todo atraso acontece porque uma máquina produz lentamente.

Muitas vezes, o recurso está disponível, mas não consegue trabalhar porque alguma condição necessária ainda não foi atendida.

Entre as causas comuns estão:

  • falta de matéria-prima;

  • falta de ferramenta;

  • Ordem de Produção não liberada;

  • produto aguardando uma etapa anterior;

  • informação incompleta;

  • equipamento aguardando preparação.

Esses períodos precisam ser registrados para que a empresa consiga identificar onde o tempo está sendo perdido.

Se uma máquina permanece frequentemente parada por falta de material, aumentar sua velocidade de produção não resolverá a principal causa do problema.

Diminuir retrabalho e refugos

Retrabalho utiliza capacidade que poderia estar direcionada para a produção planejada.

Considere uma operação programada para fabricar 1.000 unidades.

Se 100 peças apresentarem defeitos e precisarem ser refeitas, parte do tempo produtivo será consumida novamente para chegar à quantidade esperada.

Além da utilização adicional das máquinas, o retrabalho pode consumir:

  • matéria-prima;

  • ferramentas;

  • energia;

  • tempo;

  • capacidade das etapas seguintes.

Por isso, perdas e refugos precisam ser considerados quando a empresa analisa gargalos.

Equilibrar as etapas produtivas

Uma linha produtiva funciona melhor quando as diferentes operações possuem capacidades compatíveis com o volume necessário.

Imagine a seguinte sequência:

Corte: 900 unidades/dia

Usinagem: 500 unidades/dia

Pintura: 850 unidades/dia

Montagem: 800 unidades/dia

Mesmo que corte, pintura e montagem tenham boa capacidade, o fluxo poderá ficar limitado pela usinagem.

O objetivo não é fazer todas as operações produzirem exatamente a mesma quantidade, mas evitar diferenças que gerem filas constantes.

Com os dados registrados pelo Sistema de Controle de Produção, é possível identificar onde existem maiores concentrações e avaliar ações para equilibrar o processo.

Como usar o planejamento da produção para prevenir novos gargalos?

Encontrar um gargalo existente é importante, mas utilizar o planejamento para evitar novas restrições pode ser ainda mais eficiente.

O planejamento deve considerar capacidade, materiais, tempos e sequência antes da liberação das Ordens de Produção.

Essa análise reduz a possibilidade de programar volumes que a fábrica não consegue executar dentro do período disponível.

Programação baseada na capacidade

Liberar diversas ordens ao mesmo tempo não significa que elas serão produzidas mais rapidamente.

Antes da liberação, é necessário verificar se as máquinas e operações possuem capacidade para receber aquela carga.

Se um recurso possui 40 horas disponíveis e já tem 38 horas programadas, adicionar uma ordem que exige mais 12 horas criará um excesso de carga.

Uma programação baseada na capacidade procura evitar esse tipo de situação.

O planejamento pode considerar:

  • horas disponíveis;

  • carga já programada;

  • tempos de operação;

  • recursos necessários;

  • datas previstas.

Verificar a disponibilidade de matéria-prima

Também não é recomendável liberar uma fabricação sem verificar se os materiais necessários estão disponíveis.

Uma ordem pode ocupar espaço na programação e não conseguir avançar porque falta um componente.

Antes da liberação, é importante conferir:

  • matérias-primas necessárias;

  • quantidades disponíveis;

  • materiais reservados para outras ordens;

  • componentes ainda aguardando recebimento;

  • necessidade de reposição.

Essa conferência reduz o risco de máquinas ficarem paradas aguardando material.

Sequenciar as Ordens de Produção

A ordem em que as fabricações são executadas influencia diretamente o fluxo.

Para estabelecer prioridades, podem ser considerados:

  • prazo de entrega;

  • capacidade disponível;

  • material em estoque;

  • operações necessárias;

  • tempo de fabricação;

  • carga dos recursos.

Uma sequência bem planejada pode reduzir preparações, evitar concentração de trabalho e melhorar o avanço das ordens.

Acompanhar a carga futura

Analisar somente a capacidade do dia atual pode fazer com que problemas futuros passem despercebidos.

O ideal é observar também os períodos seguintes.

Por exemplo:

  • Segunda-feira: 75% da capacidade utilizada;

  • Terça-feira: 82%;

  • Quarta-feira: 115%;

  • Quinta-feira: 88%;

  • Sexta-feira: 70%.

Nesse cenário, quarta-feira merece atenção.

Uma utilização prevista de 115% significa que a carga programada supera a capacidade disponível naquele período.

Antes que o problema aconteça, algumas ordens podem ser antecipadas, redistribuídas ou transferidas para outro dia, respeitando prazos e disponibilidade.

Essa visão futura permite que o Sistema de Controle de Produção seja utilizado não apenas para registrar o que aconteceu, mas também para apoiar decisões antes que atrasos e filas apareçam no chão de fábrica.

Reprogramar diante de imprevistos

Mesmo uma programação bem elaborada pode precisar de ajustes.

Durante a produção podem ocorrer situações como:

  • parada inesperada de máquina;

  • atraso no recebimento de material;

  • aumento do tempo de determinada operação;

  • perda acima do previsto;

  • alteração na prioridade de uma ordem;

  • mudança no volume necessário.

Quando isso acontece, manter a programação original sem revisão pode transferir o problema para as etapas seguintes.

A reprogramação permite avaliar novamente carga, capacidade, materiais e prazos.

Se uma máquina que possuía oito horas disponíveis ficar indisponível durante quatro horas, por exemplo, as ordens programadas precisam ser revistas.

Parte do trabalho pode ser redistribuída, reagendada ou reorganizada de acordo com sua prioridade.

Dessa forma, o planejamento permanece conectado ao que realmente está acontecendo na fábrica e permite que decisões sejam realizadas antes que pequenas alterações se transformem em grandes filas produtivas.

Como acompanhar se as ações realmente reduziram o gargalo?

Depois de identificar um gargalo e realizar ajustes no processo, é necessário verificar se as mudanças realmente produziram o resultado esperado. Uma alteração pode parecer positiva nos primeiros dias, mas somente o acompanhamento dos indicadores permite confirmar se houve melhora consistente.

O ideal é comparar o desempenho anterior com o novo cenário, observando não apenas a operação que recebeu a intervenção, mas também as etapas anteriores e posteriores.

Um Sistema de Controle de Produção facilita esse acompanhamento ao reunir informações históricas sobre tempos, quantidades, paradas, perdas e andamento das Ordens de Produção.

Comparar indicadores antes e depois

A primeira análise deve comparar os principais indicadores registrados antes e depois da ação realizada.

Entre os dados que podem ser avaliados estão:

  • tempo de ciclo;

  • lead time;

  • quantidade produzida;

  • número de Ordens de Produção atrasadas;

  • tempo de parada;

  • volume de produtos em processo;

  • perdas e refugos.

Imagine que uma operação de usinagem apresentava tempo de ciclo médio de seis minutos por peça. Depois de uma alteração na preparação da máquina, esse tempo caiu para cinco minutos.

Isoladamente, a redução parece positiva. Porém, também é necessário verificar se a quantidade produzida aumentou, se houve redução das filas e se o índice de perdas permaneceu dentro do esperado.

Uma análise pode mostrar, por exemplo:

Antes da melhoria:

Tempo de ciclo: 6 minutos

Produção diária: 480 peças

Produtos aguardando operação: 350 peças

Depois da melhoria:

Tempo de ciclo: 5 minutos

Produção diária: 570 peças

Produtos aguardando operação: 160 peças

Nesse cenário, existem diferentes sinais indicando que a mudança contribuiu para melhorar o fluxo.

A comparação evita avaliar uma ação com base apenas na percepção de que determinada máquina está trabalhando mais rapidamente.

Analisar tendências ao longo do tempo

Um único dia de produção pode não representar o comportamento normal da fábrica.

A produção pode ter sido maior porque houve pouca variedade de produtos, nenhuma parada ou uma sequência de ordens favorável. Da mesma forma, um resultado abaixo do esperado pode ter sido provocado por uma ocorrência isolada.

Por isso, o acompanhamento deve observar tendências.

Podem ser comparados períodos como:

  • semana anterior e semana atual;

  • mês anterior e mês atual;

  • semanas equivalentes;

  • períodos com volumes semelhantes;

  • resultados antes e depois da alteração.

Se o tempo de ciclo caiu apenas em um dia e voltou aos valores anteriores na semana seguinte, talvez a melhoria não tenha sido consolidada.

Por outro lado, uma redução mantida durante várias semanas demonstra uma mudança mais consistente.

Também é interessante acompanhar indicadores em conjunto. Uma operação pode aumentar a quantidade produzida, mas gerar mais perdas. Nesse caso, avaliar somente o volume produzido apresentaria uma visão incompleta.

Verificar se o gargalo mudou de lugar

Uma característica importante dos processos produtivos é que a eliminação de uma restrição pode revelar outra.

Considere inicialmente o seguinte fluxo:

Corte → Usinagem → Montagem

Suponha que as capacidades sejam:

Corte: 800 peças por dia

Usinagem: 500 peças por dia

Montagem: 650 peças por dia

Nesse primeiro cenário, a usinagem limita o fluxo porque possui a menor capacidade.

Depois de alguns ajustes, a capacidade da usinagem aumenta para 720 peças por dia.

O novo cenário fica assim:

Corte: 800 peças por dia

Usinagem: 720 peças por dia

Montagem: 650 peças por dia

A usinagem deixou de ser a principal restrição. Agora, a montagem passa a receber mais peças do que consegue processar.

Isso significa que o problema não necessariamente desapareceu de todo o processo. Ele pode ter mudado de posição.

Por esse motivo, depois de melhorar uma etapa é importante analisar:

  • volume entregue à operação seguinte;

  • quantidade acumulada entre etapas;

  • carga dos recursos posteriores;

  • novos atrasos;

  • mudança no lead time;

  • capacidade das operações seguintes.

O objetivo é melhorar o fluxo completo e não somente o desempenho isolado de uma máquina.

Criar uma rotina de análise

Gargalos não devem ser avaliados somente quando existem atrasos graves.

A demanda muda, máquinas ficam indisponíveis, novos produtos entram em fabricação e os tempos de processamento podem variar. Por isso, a capacidade de uma fábrica precisa ser acompanhada continuamente.

Uma rotina de análise pode verificar:

  • Ordens de Produção atrasadas;

  • recursos com carga acima da capacidade;

  • operações com filas crescentes;

  • principais causas de parada;

  • diferença entre produção planejada e realizada;

  • perdas registradas;

  • alterações no tempo de ciclo.

A frequência dessa avaliação dependerá das características da operação.

Em ambientes com grande volume de ordens e alterações frequentes na programação, o acompanhamento pode ser mais próximo. Processos mais estáveis podem utilizar análises periódicas para identificar tendências e desvios.

O importante é não esperar que o atraso chegue ao cliente para começar a investigar o processo.

Como escolher e implantar um Sistema de Controle de Produção voltado à redução de gargalos

A tecnologia utilizada para acompanhar a fabricação precisa estar alinhada com a realidade da empresa.

Antes de escolher ou implantar uma solução, é necessário entender quais informações precisam ser controladas e como o processo produtivo funciona atualmente.

O objetivo não deve ser apenas substituir controles manuais por telas digitais. O sistema precisa ajudar a transformar os acontecimentos da fábrica em informações que possam ser analisadas.

Mapear as necessidades da fábrica

O primeiro passo da implantação é levantar os elementos que fazem parte do processo.

Entre eles estão:

  • produtos fabricados;

  • estruturas dos produtos;

  • matérias-primas utilizadas;

  • máquinas e equipamentos;

  • operações produtivas;

  • tempos previstos;

  • estoques;

  • Ordens de Produção;

  • etapas de fabricação.

Também é necessário compreender como essas informações se relacionam.

Um produto pode possuir diversas matérias-primas, passar por diferentes máquinas e exigir tempos específicos em cada operação. Se esses dados forem cadastrados de maneira incompleta, o planejamento também poderá apresentar resultados inadequados.

O mapeamento ajuda a determinar quais informações deverão ser registradas e acompanhadas.

Avaliar os controles necessários

Depois de compreender o processo, a empresa pode verificar quais recursos são relevantes para sua rotina.

Entre os principais controles estão:

  • planejamento da produção;

  • abertura e acompanhamento das Ordens de Produção;

  • apontamentos das operações;

  • análise de capacidade;

  • registro de paradas;

  • controle de perdas e refugos;

  • movimentação de estoque;

  • acompanhamento de indicadores;

  • rastreabilidade das movimentações produtivas.

Nem todas as fábricas possuem exatamente as mesmas necessidades.

Uma empresa com poucas etapas pode exigir controles diferentes de uma indústria com diversos produtos, máquinas e processos simultâneos.

Por isso, a escolha deve partir do fluxo real da operação.

Padronizar os apontamentos da produção

A qualidade das análises depende diretamente da qualidade das informações registradas.

Se uma máquina parou por falta de material, mas nenhuma ocorrência foi apontada, posteriormente será difícil descobrir por que determinada ordem atrasou.

O mesmo acontece quando horários, quantidades ou perdas são registrados de maneiras diferentes.

Para evitar esse problema, é importante definir padrões.

Os apontamentos podem estabelecer informações obrigatórias como:

  • operação realizada;

  • quantidade produzida;

  • quantidade rejeitada;

  • horário inicial;

  • horário final;

  • recurso utilizado;

  • motivo da parada, quando houver.

Com registros consistentes, o Sistema de Controle de Produção consegue formar um histórico mais confiável para comparação.

Começar pelos processos mais críticos

A implantação não precisa tentar resolver todos os problemas da fábrica ao mesmo tempo.

Uma estratégia mais organizada é começar pelas áreas que apresentam maior impacto no desempenho.

Podem ser priorizados setores com:

  • maior número de atrasos;

  • grande concentração de produtos;

  • muitas horas de parada;

  • elevado volume de itens aguardando processamento;

  • diferenças frequentes entre planejado e realizado;

  • altos índices de perda.

Imagine que uma fábrica possua dez operações, mas três delas concentrem a maior parte dos atrasos.

Começar por esses pontos facilita a identificação dos dados necessários e permite avaliar os resultados das mudanças com maior clareza.

Depois que o processo estiver consolidado, o acompanhamento pode ser ampliado para outras áreas.

Transformar dados produtivos em ações

Registrar informações é apenas uma parte do controle da fabricação. O principal valor está em utilizar esses dados para tomar decisões.

O fluxo pode ser representado da seguinte maneira:

Planejamento → Ordem de Produção → Execução → Apontamento → Análise → Identificação do gargalo → Ajuste do processo → Novo acompanhamento

O planejamento define aquilo que deve ser produzido. A Ordem de Produção transforma essa necessidade em uma programação. Durante a execução, os apontamentos mostram o que realmente aconteceu.

A análise compara esses dois cenários.

Se o planejado era produzir 1.000 unidades e somente 800 foram concluídas, é necessário entender a causa. Caso o histórico mostre várias horas de espera por falta de material, a ação será diferente daquela adotada para uma máquina que apresenta capacidade insuficiente.

Da mesma forma, se uma etapa acumula produtos porque recebe 700 peças por dia e consegue processar somente 500, a empresa terá uma informação objetiva para revisar capacidade, sequência, lotes ou distribuição dos recursos.

Um Sistema de Controle de Produção deve apoiar justamente essa transformação dos registros em decisões. Reduzir gargalos não significa simplesmente aumentar a velocidade das máquinas, mas identificar onde o fluxo está sendo limitado, compreender as causas e acompanhar se os ajustes realizados produziram uma melhoria consistente em toda a fabricação.

Perguntas frequentes

Dúvidas relacionadas a este artigo.

O que é um gargalo na produção?

É uma etapa, máquina ou processo que possui capacidade insuficiente para acompanhar o volume de trabalho recebido.

Como identificar um gargalo na fábrica?

É possível analisar atrasos, acúmulo de produtos, tempos de parada, capacidade produtiva e diferenças entre produção planejada e realizada.

Como um Sistema de Controle de Produção ajuda a encontrar gargalos?

Ele reúne informações de Ordens de Produção, tempos, máquinas, apontamentos, paradas e quantidades produzidas para facilitar a análise do processo.

Quais indicadores ajudam a acompanhar gargalos produtivos?

Tempo de ciclo, lead time, capacidade produtiva, tempo de parada, perdas, produtos em processo e Ordens de Produção atrasadas.

Eliminar um gargalo resolve todos os problemas da produção?

Não. Quando uma restrição é corrigida, outra etapa pode se tornar o novo ponto limitante, por isso o processo precisa ser acompanhado continuamente.

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